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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Exame: Ploc! PDG pede recuperação judicial e abala mercado imobiliário

Nota: Devido à relevância e grande impacto da informação no mercado imobiliário brasileiro, estamos, em caráter excepcional, antecipando o post desta quinta-feira, dia 23 de fevereiro. 

Assim como a grande maioria das empresas do setor, a PDG passou a sentir os desafios de ter crescido demais, criado expectativa demais, em meio a um surpreso cenário de crise para o mercado.[...] O descontrole dos canteiros gerou o atraso na entrega de obras e o descompasso entre o planejado e feito das grandes construtoras do país. [...] “Todas sofreram naquela época. Mas a PDG sofreu mais porque tinha investido alto na expansão e o tombo, assim, foi maior”, afirmou um empresário do setor em dezembro

Depois de longos períodos de maus resultados, a construtora PDG entrou hoje com pedido de recuperação judicial, na comarca da capital paulista.

Ao mercado, a empresa acaba de divulgar um fato relevante na CVM – e as ações já responderam quase que imediatamente com uma alta de 4% (a alta brusca fez com que os papéis fossem suspensos do pregão às 10h28).

No comunicado, a empresa explica detalhadamente os motivos que a levaram a tal estágio.

Dívida bilionária 
Em agosto de 2015, a companhia iniciou um processo de reestruturação de dívidas para reforçar o fluxo de caixa e otimizar a estrutura de capital das 500 sociedades do grupo.

Um ano depois, a companhia fechou um acordo com Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa e Banco do Brasil para prorrogar pagamentos de juros e amortização da dívida bilionária, na época de R$ 1,5 bilhão – hoje, ela já passa de R$ 7 bilhões.

O acordo ainda previa a concessão de um novo financiamento para cobrir despesas gerais e administrativas da PDG e, sem ele, era impossível a companhia seguir com o negócio.

Em julho, o Banco Votorantim também topou renegociar os créditos que tinha com a empresa. Os problemas, no entanto, seguiram aumentando, parte pela má administração de recursos, parte pela piora da situação do mercado imobiliário como um todo.

A última cartada da construtora foi contratar, em novembro, a um novo assessor financeiro, a RK Partners, para começar novamente uma nova rodada de negociação. Na mesma data, mudou o comando da empresa: saiu Márcio Trigueiro, entrou Vladimir Kundert Ranevsky, ex-OSX, especialista em negócios complicados.

Mais uma vez, não deu certo e analistas de mercado eram unânimes em dizer que era apenas uma questão de tempo para que a companhia pedisse recuperação, fato que pode mexer com o setor inteiro.

Do auge à queda
A PDG chegou a ser uma das maiores construtoras do país, com uma carteira bilionária de terrenos e imóveis e operações espalhadas por vários estados do país.

Criada por ex-sócios do Banco Pactual, a construtora deu um salto em 2010 ao comprar a Agre, empresa do investidor Enrique Bañuelos que, por sua vez, havia incorporado Abyara, Agra e Klabin Segall.

No ano seguinte, os lançamentos da construtora chegaram a 9 bilhões de reais em valor geral de vendas, fazendo com que ela desbancasse grandes companhias tradicionais do setor, como Cyrela e MRV, do reinado imobiliário brasileiro.

Porém, assim como a grande maioria das empresas do setor, a PDG passou a sentir os desafios de ter crescido demais, criado expectativa demais, em meio a um surpreso cenário de crise para o mercado.

Assim como as concorrentes, a PDG havia expandido os negócios para regiões Nordeste do país e por isso terceirizado boa parte das obras que vendia na planta. O descontrole dos canteiros gerou o atraso na entrega de obras e o descompasso entre o planejado e feito das grandes construtoras do país.

“Todas sofreram naquela época. Mas a PDG sofreu mais porque tinha investido alto na expansão e o tombo, assim, foi maior”, afirmou um empresário do setor em dezembro.

(Exame.com - Negócios - 22/02/2017)

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Denúncia: Caixa descumpre contrato e deixa compradores no prejuízo

O post de hoje será um pouco diferente do usual. Recebemos nesta segunda-feira (20) uma mensagem - na verdade um pedido - do leitor Thiago Leal.  Com o slogan "Parece um sonho, mas é um pesadelo" (ver imagem), Thiago e um grupo de compradores vem, há anos, denunciando o descaso e o descumprimento contratual por parte da Caixa Econômica Federal em um obra do programa 'Minha Casa Minha Vida'. O fato já se transformou numa verdadeira batalha judicial, onde os únicos prejudicados são os compradores. 


Do sonho ao pesadelo
A obra da empresa MDA Construções foi paralisada em 2012. O contrato da Caixa garantia a troca de construtora, caso não fosse cumprido o prazo. Já foram deferidas liminares da justiça para o banco cumprir a cláusula. Uma delas, de 2013, da Justiça Federal, deu um prazo de 45 dias... Mas nada foi feito.

“Nenhuma punição para a Caixa saiu da Justiça Federal até então. A Caixa está na zona de conforto... Parece que a Caixa tem o poder de decidir se ela quer ou não cumprir a ordem judicial. Eu vou fazer vinte anos de advocacia e nunca vi algo semelhante”, afirma o advogado Henrique Guimarães. 

O blog do Observador do Mercado se solidariza com todos aqueles que, direta ou indiretamente, foram prejudicados, abrindo também espaço para que todas as partes citadas possam se manifestar.



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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Folha: Para setor imobiliário, teto do FGTS não trará lançamentos

"Precisamos vender o estoque, e as novas regras do SFH (Sistema Financeiro Nacional) ajudam, mas lançamentos, que geram empregos, dependem de uma solução para o distrato."

O novo teto para financiar imóveis com o FGTS, de R$ 1,5 milhão, vai ajudar as incorporadoras a diminuir o estoque de unidades, mas não resolverá os gargalos do setor, segundo diretores de empresas do segmento.

Novos lançamentos só vão acontecer se houver mudança na maneira como os distratos (desistência de transação) são tratados pela Justiça, diz Emílio Fugazza, diretor financeiro da Eztec.

Compradores que desistem de contratos arcam com custos que variam de 10% a 20% dos valores desembolsados, de acordo com o preço do imóvel em transação.

"Precisamos vender o estoque, e as novas regras do SFH (Sistema Financeiro Nacional) ajudam, mas lançamentos, que geram empregos, dependem de uma solução para o distrato."

Imóveis cujos valores estão entre R$ 950 mil e R$ 1,5 milhão, que, agora, podem contar com recursos do SFH, representam cerca de 11% do estoque da Cyrela, diz o diretor de relações com investidores, Paulo Gonçalves.

É a terceira faixa com mais unidades em estoque, segundo ele. A nova medida, que vale até o fim de 2017, vai impulsionar negócios nos locais onde o metro quadrado é mais alto, casos de São Paulo e Rio de Janeiro afirma.

"Há casos de pessoas que moravam de aluguel porque fazia mais sentido econômico, mas que têm renda para comprar apartamentos de valores mais altos. Se elas possuem FGTS, podem usar como entrada", diz o executivo.

(Folha de São Paulo - Colunas - Mercado Aberto - 19/02/2017)

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Vídeo: Reclamações por retomada de imóveis pelos bancos aumentam 108%

“A gente quando compra, a gente fala ‘nossa, agora eu tenho, fiz tudo do jeito que eu queria’ (...) Planejei os móveis, coloquei o piso que eu queria (...) Fiz tudo do jeito que eu queria. E, de repente, tudo desaba.”

A situação da Caroline começou a complicar quando ela ficou desempregada em 2012. Quando arrumou trabalho, nove meses depois, o salário era um terço do que ela recebia antes. Aí ficou difícil pagar as prestações...



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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Infomoney: Preço de imóvel em SP cai pelo terceiro mês seguido

O levantamento conta com 30 cidades em diferentes regiões do país e considera mais de 2 milhões de imóveis usados disponíveis para compra ou aluguel

O preço nominal médio do m² para venda em São Paulo foi de R$ 6.842, menor valor desde outubro de 2016, segundo dados da plataforma online VivaReal.

O estudo chamado DMI-VivaReal (Dados do Mercado Imobiliário) mostra que esse valor médio apresentou queda em relação a dezembro do ano passado, quando custava R$ 6.857,00 e em relação ao mesmo período de 2016, quando o preço era de R$ 6.881,00.

O levantamento conta com 30 cidades em diferentes regiões do país e considera mais de 2 milhões de imóveis usados disponíveis para compra ou aluguel.

Compra
Os bairros que mais desvalorizaram para venda foram:Vila São Francisco com -7,7%, Vila Invernada com - 4,5%, Veleiros com - 4,3%, seguidos por Jardim Sarah com -3,3%, Vila do Encontro com -3,1%, Jardim Guapira com -2,6%, Jardim Petrópolis com -2,5%, Jardim com -2,4%, Vila Brasílio Machado -2,3% e City América com -2,3%.

Aluguel
Em relação ao aluguel em São Paulo, o preço do m² se manteve estável em janeiro deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2016, de acordo com dados do mesmo estudo da Viva Real.

Entre os bairros que mais desvalorizaram em São Paulo para alugar no mesmo período foram Cidade Jardim liderando o ranking com -13,8%, Vila Firmiano Pinto com - 5,7%,     Cidade Ademar com -5,0%, Ibirapuera com - 4,9%, seguidos por  Belém com -4,5%, Vila Cordeiro com -4,3%, Jardim Monte Kemel com - 4,2%, Vila Uberabinha com -3,7%, Jardim Anália Franco com -3,5% e Alto de Pinheiros com -3,3%.

(Infomoney - Imóveis - Notícia - 13/02/2017)

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Portal ClicRBS: Justiça decreta falência de grande incorporadora gaúcha

Contribuição de um leitor anônimo

São prédios residenciais, salas comerciais e até o prédio que seria o mais alto do Rio Grande do Sul, com 42 andares, segundo o presidente do M.Grupo, Lorival Rodrigues. Alguns empreendimentos estão inacabados e geram centenas de ações dos compradores e investidores

A Justiça de Porto Alegre decretou a falência do Magazine Incorporações, empresa que faz parte do M.Grupo. É responsável por empreendimentos em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

São prédios residenciais, salas comerciais e até o prédio que seria o mais alto do Rio Grande do Sul, com 42 andares, segundo o presidente do M.Grupo, Lorival Rodrigues. Alguns empreendimentos estão inacabados e geram centenas de ações dos compradores e investidores.

O M.Grupo também é responsável pela construção do Shopping Gravataí, que teve o fornecimento de luz cortado pela RGE por falta de pagamento. A empresa alegou que a inadimplência dos lojistas é alta, o que afeta o pagamento de despesas, como energia elétrica. Há risco semelhante no Shopping de Lajeado, onde lojistas se reuniram para pagar a conta.

O pedido de falência partiu de um credor. Mas outros poderão se habilitar no processo. Além de solicitar informações sobre contas e bloquear bens, a juíza Giovana Farenzena já nomeou um perito contábil, administrador judicial e leiloeiro para tratar da venda de ativos. Argumentou na sentença que a empresa está em “estado pré-falimentar”.

Advogado que representa centenas de compradores de imóveis, Flávio Luz tem reunião nesta semana com o administrador judicial. Afirma que os empreendimentos que já foram devolvidos aos compradores por decisão judicial não entram no processo de falência. Também há uma ação para que todas as empresas que integram o M.Grupo respondam de forma solidária nos processos. Inclusive, nos pedidos de indenização.

Foi aberto espaço para posicionamento do M.Grupo. Aguardamos retorno da assessoria de imprensa da empresa.

(Portal ClicRBS - Acerto de Contas - 15/02/2017)

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Portal Uol: Construção civil fechou mais de 1 milhão de vagas desde 2014

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, José Romeu Ferraz Neto, a tendência é de mais cortes de emprego para os próximos meses

A construção civil fechou 1,08 milhão de vagas no país desde outubro de 2014, quando iniciou o declínio do número de empregados. Os dados foram divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o estudo, há 27 meses havia 3,57 milhões de trabalhadores na construção. Em dezembro do ano passado, o total caiu para 2,489 milhões, na 27ª queda consecutiva.

O setor fechou 2016 com 414 mil vagas, uma queda de 14,33% em relação a dezembro de 2015. Em relação a novembro, houve queda de 3,63%.

Entre os Estados, os que mais demitiram no ano passado foram São Paulo (-97.696), Rio de Janeiro (-77.726), Minas Gerais (-37.694), Bahia (-23.772) e Pará (-21.374).

Em 2016, os segmentos que mais apresentaram queda foram imobiliário (17,14%), infraestrutura (-13,96%) e preparação de terreno (13,68%).

Em queda
No Estado de São Paulo, houve queda de 2,70% no emprego em dezembro na comparação com novembro (redução de 18,7 mil vagas). O número de trabalhadores foi de 694,6 mil em novembro, ante 675,9 mil em dezembro. Em 12 meses, são menos 91.899 trabalhadores no setor.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, José Romeu Ferraz Neto, a tendência é de mais cortes de emprego para os próximos meses. Ele defende que o governo adote "medidas emergenciais para estimular a construção civil".

(Portal Uol - Notícias - Redação - 10/02/2017)

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O Globo: Avanço dos distratos pressiona governo por regulamentação 'pró-construtoras'

A elevação do índice de distratos já era esperada em razão do aumento do desemprego, mas essa disparada, segundo executivos do setor da construção, foi desencadeada principalmente por investidores que compraram imóveis pensando em sua valorização e, como o mercado deu uma estagnada, desistiram do negócio temendo perder dinheiro

O avanço do número de distratos nas operações de compra de imóveis novos em todo o país fez aumentar a pressão do setor da construção para que o governo regulamente direitos e obrigações (penalidades) para os casos de desistência do comprador antes da entrega das chaves. O índice de cancelamentos, que não chegava a 20% até o início de 2014, começou a crescer de forma expressiva desde então e chegou a 43,4% no ano passado, concentrado principalmente nas compras de imóveis com valores entre R$ 300 mil e R$ 800 mil. A justificativa das incorporadoras para a urgência da regulação é que, com os cancelamentos em níveis elevados e as vendas fracas, as empresas ficam sem garantias suficientes para tomar crédito, o que acarreta atrasos em obras de novos empreendimentos.

No esforço de impulsionar o setor da construção, a equipe econômica trabalha para anunciar ainda esta semana uma solução para o problema dos distratos. Os detalhes ainda sendo negociados com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, mas a ideia é fixar um percentual entre 20% e 25% do total pago pelo comprador, que poderá ser retido pela construtora, mais a taxa da corretagem. Já a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e outras entidades do setor, que desde o início do ano passado discutem com os ministérios do Planejamento e da Justiça a regulamentação de regras para esses casos, têm outra proposta: multas de 10% para os imóveis da faixa do Minha Casa Minha Vida (de até R$ 240 mil); de 12% para as unidades habitacionais que se encaixam nas regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), ou seja, até R$ 950 mil; e de 14% para os de alto padrão. Esses percentuais seriam aplicados sobre o valor total do imóvel.

No ano passado até novembro, cerca de 40,9 mil contratos de venda foram cancelados por distrato, o que equivale a 43,4% do total de imóveis vendidos no período. Na prática, a cada cem imóveis comercializados na planta, em quase 44 os consumidores não tiveram condições ou não quiseram levar os contratos de compra adiante. A elevação do índice de distratos já era esperada em razão do aumento do desemprego, mas essa disparada, segundo executivos do setor da construção, foi desencadeada principalmente por investidores que compraram imóveis pensando em sua valorização e, como o mercado deu uma estagnada, desistiram do negócio temendo perder dinheiro.

Desproporcional: Para as construtoras, multa por atraso seria somente de 0,25% 
Hoje, o comprador geralmente paga entre 25% e 30% do valor do imóvel novo até a entrega das chaves. Os distratos ocorrem justamente antes de o comprador receber as chaves. Por isso, na maior parte dos casos, as incorporadoras estabelecem multas contratuais de 50% a 60% do valor já pago pelo comprador, diz Marcelo Tapai, advogado especialista em direito imobiliário. Alegando tratar-se de cláusula abusiva, os compradores recorrem à Justiça, cujos juízes de primeira instância geralmente estabelecem multas menores, entre 10% e 15% do valor já pago.

A proposta do governo prevê duas travas para a definição da quantia que as empresas poderão reter do cliente: o valor não pode exceder 10% do valor do contrato, nem 80% do valor pago pelo cliente. Em contrapartida, as empresas que atrasarem a entrega da obra em mais de 180 dias poderão ser multadas em 0,25% do valor contratado. Acima desse prazo, a multa dobra para 0,50%.

Para se ter uma ideia do impacto dessas novas regras, num contrato de R$ 500 mil, por exemplo, e taxa de corretagem de 6%, se o cliente pagou R$ 50 mil e desistiu da compra, ele terá de deixar nas mãos da empresa R$ 30 mil só de comissão para o vendedor; sobre os R$ 20 mil restantes, seria aplicado o percentual fixado. Desse forma, a empresa poderá ficar com R$ 35 mil, e o comprador receberá de volta R$ 15 mil. O valor retido está abaixo dos 10% do valor do imóvel e dos 80% do valor desembolsado.

Os clientes do Minha Casa Minha Vida não deverão ser afetados. A proposta de regulamentação prevê tratamento diferenciado por tipo de imóvel, se é residencial ou comercial.

Vítimas do próprio mercado que criaram
Para as incorporadoras, a regulamentação dará maior previsibilidade às empresas do setor e evitará disputas na Justiça, que são recorrentes. Claudio Carvalho, vice-presidente da Abrainc, explica que esses cancelamentos reduzem a previsão de fluxo de recursos para as construtoras, o que torna mais difícil o acesso ao crédito.

— Se as vendas não estão dentro do cronograma, os bancos começam a parar com o crédito à produção. A concessão de crédito está muito mais restrita, e isso pode causar paralisação de obra nas construtoras que não têm caixa próprio disponível — diz.

Flavio Amary, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), afirma que os distratos causam um desequilíbrio no mercado, pois, além dos gastos que as incorporadoras já tiveram, como os de corretagem, o fluxo de caixa do projeto é afetado, o que pode prejudicar as outras pessoas que compraram unidades no mesmo empreendimento.

— Muitos investidores desistem do imóvel porque não ocorreu a valorização esperada. Isso não é justo e não acontece em outros setores. É uma decisão unilateral do comprador, tomada quando ele percebe que o negócio deixou de ser bom para ele — disse.

Na visão das incorporadoras, deve ser considerado o valor total porque os custos de venda, como corretagem e divulgação do empreendimento, incorrem sobre esse valor. Eles argumentam ainda que a prática em outros países é uma multa de 100% do valor já pago. O acordo estava próximo, mas os órgãos de defesa do consumidor começaram a questionar a proposta, temendo que a nova regra seja muito desfavorável ao mutuário.

Ministério Público é contra
Para o promotor Sidney Rosa, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), o grande problema de uma regra que fixe como multa um percentual do valor do imóvel é que, em alguns casos, isso pode representar até 100% do que já foi pago pelo comprador.

— A crise econômica não atinge apenas as empresas, mas especialmente os consumidores. Não se pode pretender transferir a eles, cuja situação financeira já chegou ao ponto de devolver o imóvel, todo o risco do negócio e os ônus correspondentes.

Especialista em direito imobiliário, o advogado Hamilton Quirino lembra que uma lei nova não poderá retroagir aos contratos anteriores, sendo válida, apenas, a partir do início de sua vigência.

Apesar das dificuldades e da falta de acordo, o setor da construção espera um aquecimento a partir do segundo semestre deste ano. Por essa razão, as incorporadoras já começam a apresentar projetos de novos empreendimentos ao bancos, para avaliar as condições de crédito para a produção. Ter uma regra mais clara de distratos também vai ajudar nesse ponto, segundo Fabrizio Ianelli, superintendente de crédito imobiliário do Santander. A venda das unidades e o andamento da obra são essenciais para o acesso ao crédito e a liberação de recursos — que é feita gradualmente, de acordo com o ritmo da construção e do ritmo de vendas líquidas — já descontando os distratos do empreendimento.

— Quando o distrato sobe, o nível de comercialização não sobe. Então, isso interfere nas aprovações — comentou Ianelli, afirmando que o ano passado foi o mais crítico em distratos, afetando as liberações para as construtoras, que agora tentam reduzir seus estoques.

Para o vice-presidente do Sinduscon, Odair Senra, a redução dos juros, que teve início no fim do ano passado, e a estabilização do índice de desemprego, a partir de meados do ano, devem dar impulso ao mercado imobiliário. Com mais vendas, o nível de distratos pode cair, mas o dirigente defende que alguma regulamentação é necessária para evitar desequilíbrios para o incorporador e para o empreendimento.

(O Globo - Economia - 08/02/2017)

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Infomoney: A casa própria não é mais o sonho do brasileiro. Entenda

Mas o que a gente vem vendo, na verdade, são as pessoas, por opção, querendo alugar. E às vezes a pessoa teria condição de comprar o imóvel, ela fala: "Não, eu já fiz a minha conta aqui, e hoje vale mais a pena eu deixar o dinheiro aplicado no banco e alugar o imóvel, e vai sobrar dinheiro"

Para muitos brasileiros que vivem de aluguel, esta deixou de ser a única opção e passou a ser uma escolha puramente matemática. Para Gabriel Braga, CEO e co-fundador da Quinto Andar, realmente vivemos no país um momento em que vale mais a pena alugar do que comprar um imóvel.

Sua empresa organiza anúncios de aluguel e oferece “seguro fiança grátis” aos locatários, tornando-se, ela própria, a garantia para o proprietário. Segundo essa visão, ela foi criada em um período oportuno. Ao mesmo tempo, o CEO acredita que a proposta não deve deixar de ser relevante depois da saída da crise, por uma questão de mudança de mentalidade.

O seguro-fiança sempre foi a melhor garantia para o proprietário, porque é uma seguradora por trás, é uma coisa confiável, previsível, você não vai ter que ter um fiador pessoa física que você vai ter que sair cobrando atrás. Mas, por outro lado, ele era muito caro, o que inviabilizava a negociação. Então quando a gente fez o seguro-fiança grátis, ele ficou bom para o proprietário e muito bom para o inquilino também.

O Brasil é um país onde a compra da casa própria ainda é um sonho de muita gente. Vocês percebem o perfil dos clientes de vocês principalmente nas grandes cidades mudando nesse sentido?
Com certeza. [...] Mas o que a gente vem vendo, na verdade, são as pessoas, por opção, querendo alugar. E às vezes a pessoa teria condição de comprar o imóvel, ela fala: "Não, eu já fiz a minha conta aqui, e hoje vale mais a pena eu deixar o dinheiro aplicado no banco e alugar o imóvel, e vai sobrar dinheiro".

É uma parte de uma mudança econômica, uma parte de mudança cultural das pessoas darem um peso maior para facilidade de acesso, para flexibilidade que isso traz para ela do que a necessidade de segurança de ter um ativo fixo ali, "eu tenho a minha casa própria". Não, "eu tenho dinheiro no banco, eu prefiro gastar com viagem ou com estudo, investir em alguma outra coisa, mas eu não preciso dessa impressão de segurança de ter a casa própria”. É uma outra analogia que eu faço também com a Uber. Até pouco tempo atrás, era um sonho ter um carro, o adolescente queria ter um carro. Hoje em dia você pergunta para os adolescentes, eles vão dizer que vão de Uber. E ele não está preocupado em ter o carro mais.

Matéria editada

(Infomoney - Imóveis - Notícia - 02/02/2017)

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Portal G1: Construtora some e deixa centenas de famílias sem explicação

As prestações deste financiamento pela Caixa só começariam a ser pagas com a entrega das chaves, mas muita gente já deu entrada, gastou com análise de crédito, com a documentação do imóvel e todo o mês desembolsa uma taxa de amortização dos juros. E quem não paga recebe carta avisando que o nome vai para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)

Uma obra que está parada há mais de um ano em um condomínio em Niterói, na Região Metropolitana, está tirando o sono de centenas de famílias que ficaram sem nenhuma explicação. A construtora responsável pelas obras interrompeu os trabalhos e não deu satisfação a nenhum proprietário.

O auxiliar administrativo Aluísio Pereira pretendia se mudar com a mãe para um lugar melhor, enquanto a designer de moda Marli Pereira ia presentear o filho. O militar Douglas Araújo e a enfermeira Izabella dos Santos esperavam para marcar o casamento e a auxiliar de creche Tatiany Menezes e o Michel buscavam espaço para aumentar a família.

No entanto, esses e tantos outros planos e projetos de vida de todo esse pessoal estão interrompidos desde outubro de 2015, quando a empreiteira responsável pela construção de um condomínio parou a obra.

Os apartamentos deveriam ter sido entregues em julho do ano passado. Mas a realidade é que os sete blocos com 340 unidades no bairro Fonseca estão longe de serem concluídos. Enquanto a obra não levanta, a pilha da burocracia só cresce para quem está esperando o desenrolar dessa história.

Do sonho ao pesadelo
A papelada reunida pelo projetista Tony Barreto foi apresentada ao Ministério Público depois de várias tentativas de contato com a empreiteira e com a Caixa Econômica Federal, sem nenhum retorno.

“Tinha um sonho de morar na minha residência. Meu imóvel não está pronto. Hoje eu moro de favor na casa de parentes e comprei para sair. A gente fica desesperado, a gente fica sem saber o que fazer. Até agora, nada”, disse o projetista.

Um problema que se arrasta e leva junto a saúde de Aluísio. Ele passou mal ao lembrar que usou R$ 30 mil do Fundo de Garantia para comprar uma casa que não fica pronta.

“Fiz toda papelada direitinho e não tenho onde morar. Não tenho onde morar. A gente quer uma posição consolidada da Caixa. Ninguém responde nada. Ela (a mãe) fica doente, não tem vontade de sair. Fiz minhas economias, fiz planejamento, não tenho onde parar meu carro, não tenho casa. Estou saindo para dar conforto, comprei tudo. Você não tem coragem para nada”, disse Aluísio.

Ninguém sabe se vai entrar na casa nova ou quando isso vai acontecer. As prestações deste financiamento pela Caixa só começariam a ser pagas com a entrega das chaves, mas muita gente já deu entrada, gastou com análise de crédito, com a documentação do imóvel e todo o mês desembolsa uma taxa de amortização dos juros. E quem não paga recebe carta avisando que o nome vai para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

A confusão é tão grande que tem gente sem contrato com a Caixa Econômica Federal. O garçom Darvin da Silva Miller Leite tinha feito contrato direto com a empreiteira, que sumiu. Agora, ele está num limbo jurídico.

Izabella conta que há seis meses pararam de cobrar o financiamento. Ela achou que era porque o prazo para a entrega do apartamento que era de dois anos se sete meses tinha expirado.

Trauma
Com todo esse problema, Douglas Araújo, nem quer mais essa casa. “Não quero mais, só quero resolver numa boa para poder fazer outro financiamento com a Caixa. A gente quer o distrato. Eles não dão. A gente só quer sair desse imóvel para conseguir um outro novo com as mesmas condições. Queremos fazer um contrato com outro empreendimento, só queremos sair desse, esse está dando muito problema para a gente”, disse Douglas.

Tatiany e o marido Michel precisam do novo apartamento. A família está crescendo e eles sonham com o quarto do bebê.

Picaretagem
A Caixa Econômica Federal disse que tentou contato e notificou a construtora Imperial Engenharia. Mesmo assim a empreiteira não retomou as obras nem respondeu ao banco. A Caixa disse que iniciou um processo para contratar uma empresa substituta e que aguarda propostas das construtoras interessadas em retomar a obra. Não há prazo para terminar esse processo.

O Bom Dia Rio também tentou contato com a Imperial Engenharia, mas o telefone encontrado no cadastro de pessoa jurídica é de uma outra empresa que diz não ter relação com a construtora.

(Portal G1 - Rio de Janeiro - Notícia - 06/02/2017)

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Estadão: Bancos tentam evitar quebra de empresas. Construção e mercado imobiliário na lista

A mudança de postura dos bancos é explicada pela rápida escalada dos pedidos de recuperação. Só no ano passado, 1.863 empresas entraram com pedidos na Justiça - volume 44% superior ao de 2015. Nessa lista estão os segmentos de construção, infraestrutura, varejo, revenda de carros e mercado imobiliário

Depois de amargarem perdas com a deterioração financeira de grandes empresas, que entraram em recuperação judicial ou estão envolvidas na Lava Jato, os maiores bancos privados do País - Itaú, Bradesco e Santander - começaram, nos últimos meses, a se organizar para evitar uma crise ainda maior. A preocupação é que essa onda de recuperações se intensifique e provoque um efeito cascata de estragos na já combalida economia do País.

Com equipes especializadas, esses bancos criaram departamentos totalmente focados na reestruturação de médias e grandes empresas. A ideia é trabalhar de forma preventiva, antes que o problema leve mais companhias a um processo de recuperação judicial ou falência - o que é prejudicial também para o balanço dessas instituições, que no último ano tiveram de fazer provisões para perdas bilionárias. Os casos mais emblemáticos foram os da Oi, com dívidas de R$ 65 bilhões, e da Sete Brasil, criada para entregar sondas para a Petrobrás, com débito de R$ 20 bilhões.

Fontes de mercado afirmam que há uma "watch list" (lista de monitoramento) de cerca de R$ 300 bilhões em dívidas de médias e grandes empresas na mira de bancos para reestruturação. Esse valor exclui a dívida da Oi e parte das renegociações de dívidas já feitas por algumas das empresas do grupo Odebrecht.

Construção e mercado imobiliário na lista
A qualquer sinal de alerta sobre a saúde financeira de empresas, seja pela piora de indicadores do balanço ou por atrasos em contas (dívidas ou impostos, por exemplo), as equipes de reestruturação desses bancos entram em ação para tentar estancar o problema de forma preventiva.

"Queremos nos antecipar ao problema", diz Eduardo Armonia, diretor responsável pela área de reestruturação e recuperação de crédito de atacado do Itaú. "A queda da rentabilidade de uma empresa ou atraso de pagamento já acendem um alerta para o banco."

Diante de uma grande quantidade de empresas em dificuldades - seja por causa da crise econômica ou por causa da Lava Jato -, o time de reestruturação dos bancos inicia o pente-fino pelos setores nos quais as instituições têm maior exposição. Nessa lista estão os segmentos de construção, infraestrutura, varejo, revenda de carros e mercado imobiliário.

Partindo dos setores, esses executivos afunilam as análises até chegar às empresas mais frágeis. Em alguns casos, as companhias não têm noção da realidade que vivem e precisam ser alertadas pelos bancos, diz o vice-presidente do Bradesco, Domingos Abreu, responsável pela área de crédito e reestruturação.

Com esse diagnóstico em mãos, as instituições financeiras oferecem um "pacote de ajuda", que vai desde tomar ativos como garantia e alongar as dívidas até buscar um novo investidor para injetar capital na empresa.

Rossi e PDG
Outro que está em reestruturação é o grupo Rossi, que tenta evitar o mesmo caminho da concorrente PDG, cuja recuperação judicial é dada como certa. Fontes afirmam que o grupo renegocia o alongamento das dívidas e está em conversas para dar imóveis como garantia. A empresa não quis se pronunciar.

Escalada
A mudança de postura dos bancos é explicada pela rápida escalada dos pedidos de recuperação. Só no ano passado, 1.863 empresas entraram com pedidos na Justiça - volume 44% superior ao de 2015, com 1.287 ocorrências. "Criamos essa estrutura em 2015 por causa da piora na economia, do aumento das recuperações e da Lava Jato", diz Gustavo Alejo Viviani, superintendente executivo de negócios de recuperação da área de atacado do Santander.

Para este ano, a recuperação da economia, com a queda dos juros e aumento dos preços das commodities, deve dar algum alívio às empresas. Mas os bancos seguem atentos e querem evitar um déjà vu de 2016.

(Estadão - Economia - Notícias - 30/01/2017)

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Hoje em Dia: Valor do aluguel comercial despenca na capital mineira

Considerada o coração comercial da cidade, a Savassi é um espelho da nova realidade de baixa procura por locação e queda nos valores do aluguel. Por lá, onde placas de “aluga-se” viraram rotina, os aluguéis estão entre 30% e 50% mais baratos, segundo corretores e lojistas

A crise empurrou para baixo o valor dos aluguéis comerciais em Belo Horizonte. Pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir dos anúncios no site Zap Imóveis na capital mineira, mostra que o preço de locação no segmento comercial caiu 6,41% no ano passado. Levando-se em conta que a inflação foi de 6,3% no período, a perda de valor do aluguel chega a aproximadamente 13%.

Considerada o coração comercial da cidade, a Savassi é um espelho da nova realidade de baixa procura por locação e queda nos valores do aluguel. Por lá, onde placas de “aluga-se” viraram rotina, os aluguéis estão entre 30% e 50% mais baratos, segundo corretores e lojistas.

“Desde 2015 o setor retraiu bastante. Muitas lojas fecharam e andares e salas ficaram vazios, trazendo uma grande quantidade de imóveis de volta ao mercado. E se a oferta subiu por um lado, do outro a procura caiu muito, o que tem reflexos nos preços”, diz o gerente de Novos Negócios de Locação da Casa Mineira, Luiz Carlos de Araújo.

Segundo ele, imóveis comerciais que em 2015 eram alugados por R$ 70 a R$ 80 o metro quadrado, hoje são ofertados por valores entre R$ 40 e R$ 50. “Num determinado momento, de 2013 a 2014, muitas lojas na Savassi tinham até fila de espera. Com o cenário atual, antigos locatários entregaram o ponto e os proprietários que não querem deixar os imóveis ociosos têm que se adequar à realidade. Há casos em que o valor foi reduzido pela metade”, afirma.

Caindo na real
O tempo de espera por um novo inquilino também aumentou. “A demora na Savassi varia de quatro a seis meses. Mas em outros bairros, há casas comerciais que levam até dois anos para alugar. A crise e o desemprego fazem com que as pessoas fiquem mais receosas, mas para quem busca uma oportunidade essa é a hora de barganhar”, diz Araújo.

Depois que uma mineradora desocupou alguns andares do prédio onde funciona uma lanchonete do McDonald`s, em um dos pontos mais nobres do bairro, o proprietário se viu obrigado a reduzir em 40% o valor do aluguel. Na Tomé de Souza, o aluguel de uma loja que era de R$ 8 mil passou para R$ 5 mil após a saída do último locatário.

Há 37 anos na Savassi, o comerciante Nilo Fantini, da Fantini Relojoaria e Presentes, diz que os proprietários estão finalmente caindo na real. “O dinheiro está curto para todo mundo. Aqui na avenida Getúlio Vargas mesmo tem loja que custava entre R$ 7 mil e R$ 8 mil e agora está por R$ 5 mil, até R$ 4,5 mil”, diz.

Vizinho de Fantini, um casarão tombado pelo patrimônio público já teve vários inquilinos nos últimos tempos, inclusive o restaurante Boi Savassi. “Mais recentemente foi um CineBar e um outro restaurante. Mas nada foi pra frente”, lamenta a vendedora de uma ótica ao lado. O motivo pode ser o preço. O aluguel custa R$ 25 mil.

Para atrair inquilinos, imobiliárias e proprietários estão fexibilizando 
Na falta de inquilinos dispostos a pagar pequenas fortunas pelo aluguel, a saída é oferecer vantagens e algumas regalias para fechar negócio e não deixar o imóvel ocioso.

Segundo a diretora da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), Flávia Vieira, existe atualmente o entendimento de proprietários e investidores de que é preciso ter uma flexibilização para firmar um contrato.

“Hoje em dia, uma das estratégias utilizadas é oferecer uma carência maior, que pode chegar a até seis meses. Isso alivia o inquilino, que ganha um tempo extra para reformar a loja, adequar o espaço e se estabelecer antes de começar a pagar o aluguel”, afirma.

Até então, o prazo de carência estabelecido nos contratos normalmente não passava de 30 dias.

A garantia também tem sido flexibilizada para facilitar a vida do cliente que deseja alugar um imóvel para fins comerciais.

“Cada vez mais modalidades tradicionais, como a figura do fiador, vem perdendo espaço para outras alternativas, como seguro fiança e títulos de capitalização”, diz Flávia.

Para a diretora do CMI/Secovi, a adoção dessas medidas é uma maneira para enfrentar a crise. “Antes, na Savassi, por exemplo, tinha quatro, cinco candidatos para um imóvel. Mas o cenário mudou. E imóveis que tradicionalmente nunca ficavam vagos hoje estão. Então é essencial ter flexibilidade”, afirma.

Proprietário irredutível, imóvel vazio
Em um dos pontos mais nobres da Savassi, no quarteirão fechado da rua Antônio de Albuquerque, entre a rua Alagoas e a avenida Cristóvão Colombo, uma loja fechada há meses é o retrato da consequência da irredutibilidade do proprietário.

“O pessoal na vizinhança está dizendo que estão pedindo R$ 15 mil pelo ponto. Não é à toa que está vazia há tanto tempo”, disse uma vendedora de roupas de uma loja ao lado.

Para o corretor da RE/MAX Class Maurício Ribeiro, a recessão foi a gota d'água para uma situação que começou lá atrás, desde a mudança dos servidores dos prédios da Praça da Liberdade para a Cidade Administrativa, em 2010.

Depois disso, grandes bancos e escritórios de importantes empresas também foram saindo, até que veio o pior da crise.

No entanto, após um 2016 fraco, Ribeiro aposta que a tendência é de um ano melhor para o setor imobiliário na região, com estabilização de preços.

“A Savassi tem charme e potencial. Pequenos ajustes na limpeza e nas áreas de estacionamento já melhorariam muito o ambiente. Por isso apostamos em uma retomada já em 2017”, diz.

Deterioração
O mercado de salas e conjuntos comerciais sofreu uma forte deterioração em 2016 diante dos efeitos da crise econômica nacional. 

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir dos anúncios no site Zap Imóveis.

O levantamento engloba escritórios de até 200 metros quadrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, além de Belo Horizonte.

(Hoje em Dia - Primeiro Plano - 01/02/2017)

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