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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Portal DCI: Construção civil perdeu mais de 125 mil empregos em 2017

A deterioração do mercado de trabalho em 2017 afetou todas as regiões do Brasil, sendo os piores resultados observados no Sudeste (-5,73%) e Norte (-5,56%)

O setor da construção fechou 2017 com menos 125 mil vagas, queda de 5,01% em relação a 2016. Somente em dezembro, o nível de emprego na construção caiu 2,43% (-59.128) ante novembro. Com esse resultado, o setor perdeu 1,3 milhão de postos de trabalho desde 2014.

Os dados são da pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), e apontam que, com o desempenho negativo no ano, o estoque de trabalhadores no setor ficou em 2,372 milhões em dezembro de 2017, mesmo patamar de 2009.

“Para estimular a atividade da construção, o governo deveria tomar medidas como regulamentar distratos, aumentar o crédito, destravar projetos de infraestrutura e impulsionar a habitação popular e as concessões”, afirma o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto.

Em 2017, os segmentos que mais apresentaram queda foram: Imobiliário (-8,15%), Obras de acabamento (-7,23%) e Incorporação de imóveis (-5,37%). Em dezembro, na comparação com o mês anterior, as maiores quedas registradas foram em Preparação de terrenos (-3,38%) e Infraestrutura (-3,41%).

A deterioração do mercado de trabalho em 2017 afetou todas as regiões do Brasil, sendo os piores resultados observados no Sudeste (-5,73%) e Norte (-5,56%).

(Portal DCI - Serviços - 19/02/2018)

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Valor: Venda de material de construção volta a cair em janeiro, diz Abramat

As vendas de materiais de construção caíram 0,7% em janeiro na comparação anual, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).

Apesar do desempenho do mês, a entidade mantém a expectativa de alta de 1,5% nas vendas neste ano.

Segundo a Abramat, a demanda de materiais por parte do mercado imobiliário deve crescer a partir do segundo semestre. Mais uma vez, o varejo puxará a procura por produtos de construção.

(Valor Online - Empresas - 09/02/2018)

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Investimentos e Notícias: Setor de construção paulista volta a apresentar queda

O indicador de expectativas para o nível de atividade para os próximos seis meses, que havia chegado a 52,8 pontos em novembro, voltou a cair. [...] O mesmo ocorreu com compras de matérias-primas, que foi de 52,3 pontos para 46,8 pontos nesta leitura, e com os indicadores de novos empreendimentos e serviços e de investimentos, que fecharam dezembro também com variação negativa

Após atingir 41,6 pontos em novembro de 2017, o nível de atividade do setor de construção paulista voltou a apresentar queda, registrando 40,3 pontos no último mês do ano. Na comparação interanual, em dezembro de 2016, o indicador registrou 32,3 pontos.

Os dados são da Sondagem da Construção do Estado de São Paulo, levantamento feito pela CNI e pela Fiesp, com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção e do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo. 

Emprego também caiu
Da mesma forma, o indicador número de empregados, comparado ao mês anterior, caiu de 46,1 pontos para 43,4 pontos em dezembro. Na comparação interanual, entretanto, o indicador teve alta: em dezembro de 2016, ele marcou 30,3 pontos. No mesmo sentido, a Utilização da Capacidade de Operação (UCO) teve ligeira queda, de 56,0% para 55,0% em dezembro. Em termos interanuais, o nível fica acima daquele observado em dezembro de 2016 (52,0%).

O nível de atividade em relação ao usual, por outro lado, teve alta na passagem mensal, indo de 29,1 para 30,4 pontos nesta leitura, ficando bem acima do observado no mesmo período do ano anterior (24,4 pontos).

O indicador de expectativas para o nível de atividade para os próximos seis meses, que havia chegado a 52,8 pontos em novembro, voltou a cair. Apesar da queda, o indicador, com 51,8 pontos, continua a sinalizar otimismo do setor em relação ao futuro. A variável de empregados também recuou na passagem mensal, de 51,3 para 45,7 pontos. Abaixo dos 50,0 pontos, o componente sinaliza pessimismo. O mesmo ocorreu com compras de matérias-primas, que foi de 52,3 pontos (sua maior pontuação desde dezembro de 2013) para 46,8 pontos nesta leitura, e com os indicadores de novos empreendimentos e serviços e de investimentos, que fecharam dezembro também com variação negativa. Enquanto o primeiro saiu de 50,8 para 48,0 pontos, o segundo recuou de 32,7 para 28,7 pontos.

(Portal Investimentos e Notícias - Notícias - Economia - 31/01/2018)

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

IstoÉ Dinheiro: Financiamento imobiliário com poupança e FGTS cai 12,2%

No mês de dezembro, os financiamentos imobiliários somaram R$ 3,68 bilhões, conforme a Abecip, baixa de 31,6% ante o mesmo mês de 2016. O número de imóveis financiados foi a 14,6 mil unidades no último mês de 2017, queda de 28,7% e aumento de 8,2%, respectivamente

Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) totalizaram R$ 101 bilhões no ano passado, montante 12,2% menor do que o registrado em 2016, de R$ 115 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Foram financiados, conforme a entidade, 175,62 mil imóveis nas modalidades de aquisição e construção no exercício passado, número 12,1% inferior ao registrado 12 meses antes, quando o setor financiou 199,69 mil unidades.

Do volume total financiado em 2017, a linha com recursos da poupança somou R$ 43 bilhões, declínio de 7,4% ante 2016. Já a modalidade FGTS foi a R$ 58 bilhões, recuo de 15,5%, na mesma base de comparação.

No mês de dezembro, os financiamentos imobiliários somaram R$ 3,68 bilhões, conforme a Abecip, baixa de 31,6% ante o mesmo mês de 2016. O número de imóveis financiados foi a 14,6 mil unidades no último mês de 2017, queda de 28,7% e aumento de 8,2%, respectivamente.

Inflexão "sutil"
O presidente da Abecip, Gilberto Abreu, diz que o cenário de juros menores e com tendência de queda e inflação sob controle são positivos para o segmento. No que tange ao preço, Abreu destacou que o mercado imobiliário sofreu, mas que há um início de inflexão “sutil” no setor. “Esperamos que os preços retomem, ao menos em termos nominais, para acompanhar a inflação”, destacou ele, em conversa com a imprensa.

Abreu reforçou ainda a queda dos distratos que, segundo ele, mostra o “fim de um ciclo”. Sobre a poupança, que ele classifica como a “gasolina” do mercado de financiamento imobiliário, ele disse que a expectativa é de entrada de recursos nas cadernetas em 2018, assim como já ocorreu no ano passado em meio ao cenário de queda dos juros, o que torna esse veículo interessante para as pessoas.

Restrição
As restrições de capital e funding da Caixa Econômica Federal já impactaram o mercado de financiamento imobiliário em 2017 e podem afetar as projeções de desempenho neste ano, de acordo com o presidente da Abecip. “Vai depender de quão rápido o banco público vai resolver essas questões. Se conseguir equacioná-las e voltar rapidamente ao setor, a Caixa pode até beneficiar o segmento em 2018”, avaliou ele.

Enquanto isso, conforme Abreu, os bancos privados, que já ocuparam maior espaço no financiamento imobiliário, devem continuar abocanhando uma maior fatia do setor em 2018. Ele lembrou que a Caixa tem abrangência geográfica grande e a maior cobertura nacional em financiamento imobiliário no Brasil.

Considerando apenas o desembolso feito em 2017, o banco público seguiu na liderança do financiamento imobiliário com recursos da poupança, respondendo por 38,1% do crédito para aquisição e construção, com um total de R$ 16,4 bilhões. Na sequência, estiveram Itaú Unibanco (19,8%, R$ 8,5 bilhões), Bradesco (18,3%, R$ 7,9 bilhões), Santander (14,4%, R$ 6,2 bilhões) e Banco do Brasil (6,4%, R$ 2,8 bilhões).

(IstoÉ Dinheiro - Economia - 30/01/2018)

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Exame: Preços de imóveis têm perda real de 24% em 4 anos, diz Abecip

“Esses números mostram a crise gigantesca que o setor enfrentou”

Os preços dos imóveis caíram 2% de dezembro de 2014 a dezembro de 2017, segundo dados do Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), calculado com base em dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Mas, se for descontada a inflação, a queda é muito maior, de 24,%, reflexo da forte crise por que passou o setor imobiliário brasileiro nos últimos quatro anos, afirma Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Abecip. “Esses números mostram a crise gigantesca que o setor enfrentou”, diz. Segundo ele, a queda de 0,60% em 2017 nos preços indica que o mercado começa a apresentar uma recuperação. “No ano passado, começamos a ver um movimento sutil, um começo de reação dos preços”, diz.

Em algumas cidades, inclusive, já houve alta dos preços, como São Paulo, com 0,40%, Curitiba, com 0,77% e Salvador, com 0,24%. “Isso reforça nossa visão de que vamos ter alguma recuperação mais forte este ano”.

Os dados da Abecip mostram também variações de preços diferentes de acordo com o tipo de imóvel. No caso de São Paulo, as casas perderam mais valor, 5%, de 2014 até 2017, o que significa 26,2% de perda real. Já os apartamentos subiram 2,2%, o que significa queda real de 20.2% no período. O estudo da Abecip incluiu as regiões da cidade de São Paulo e mostrou que, nas regiões mais periféricas e mais pobres, os imóveis perderam mais valor. Caso do extremo da Zona Sul, onde as casas caíram 10% e os apartamentos, 10,5%, o que representa perdas reais de 29,5% e 30,2%, respectivamente. “Isso pode ser explicado porque a crise e o desemprego afetou mais a população dessas regiões”, explica Abreu Filho.

(Portal Exame.com - Seu Dinheiro - 31/01/2018)

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Vídeo: Construtoras alugam imóveis encalhados para reduzir prejuízos

Apartamento de três quartos, novinho. Fechado, ele tem custos com condomínio e IPTU que chegam a R$ 6 mil por ano; 62 unidades como essa estão vazias desde a conclusão da obra, há mais de um ano. A construtora cansou de esperar compradores


Não está fácil vender imóvel no Brasil, e não é de hoje. O número de apartamentos novos encalhados é enorme. E, para se livrar deles, algumas construtoras resolveram mudar de estratégia.

Uma cidade de imóveis vazios dentro da segunda maior capital do Brasil. Espalhados por vários bairros do Rio existem 61 mil apartamentos disponíveis para a compra ou aluguel, mais que o dobro de um ano atrás.

O candidato a locatário sabe que o momento é bom para negociar o valor do aluguel e o interessado na compra, esse está difícil de achar.

“Dificuldade de crédito, preços exorbitantes... Isso tudo fez com que o comprador migrasse para a locação mesmo que temporariamente, até essa crise passar, até essa situação macroeconômica se definir”, explica Edison Parente Martins Neto, vice-presidente de administradora.

Em 2017 até novembro, foram vendidos 31 mil imóveis de médio e alto padrão em todo o país, 11% a menos que em 2016.

Apartamento de três quartos, novinho. Fechado, ele tem custos com condomínio e IPTU que chegam a R$ 6 mil por ano; 62 unidades como essa estão vazias desde a conclusão da obra, há mais de um ano. A construtora cansou de esperar compradores.

“Esse custo representa em torno de R$ 370 mil por ano para a gente. Mais ou menos uma unidade por ano de custos que nós temos com um empreendimento pronto não vendido”, afirma o gerente de vendas de construtora, Bernardo Gazal.

O imóvel agora está disponível também para aluguel.

Salvação
“O aluguel veio para nos ajudar, para não só reduzir nossos custos, mas também para trazer vida. As famílias vêm visitar nos finais de semana, é um momento interessante para que as pessoas também se apaixonem pelo condomínio, pelas unidades e possam adquirir uma unidade”, completa Bernardo.

E algumas construtoras vão além nos atrativos para ocupar os imóveis. A Daniela e o Luiz Claudio estão há dois anos no apartamento. Primeiro, foram inquilinos. Depois, conseguiram transformar os aluguéis pagos num desconto de 5% no valor da compra. Negócio fechado com as certezas que só vêm com a experiência.

“Fiz essa locação justamente para conhecer o condomínio, ver se eu iria me adaptar ao apartamento. E no final, quando você vai comprar, é como se você tivesse feito uma poupança, juntando esse dinheiro para abater na entrada do imóvel. Isso facilitou muito para a gente”, diz empresária Daniela Jones.

(Globo.com - Jornal Nacional - Notícia - 30/02/2018)

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Portal EM: Incertezas na Caixa ameaçam a construção civil

Em 2014, a Caixa liberou R$ 128,83 bilhões em crédito imobiliário, enquanto que em 2016 (dados de 2017 ainda não foram divulgados) a soma foi de R$ 83,46 bilhões. O número de contratos de financiamento imobiliário também apresentou queda expressiva. Enquanto em 2014 foram 1.405.923 contratos, em 2016 esse universo chegou a apenas 620.823

Enquanto a Caixa Econômica Federal corre contra o tempo para se adequar às regras internacionais do setor financeiro, definidas no documento Basileia III derivado do acordo da Basileia, as empresas ligadas diretamente ou indiretamente à construção civil observam com muita atenção se o banco terá condições de destravar o setor com nova liberação de recursos.

Atualmente, 78% dos financiamentos imobiliários saem dos cofres do banco estatal. Quando algo não vai bem na Caixa, os reflexos se espalham por construtoras, incorporadoras, fabricantes e lojas de materiais de construção, mercado de trabalho e, é claro, afetam a vida de quem espera pela chance de ter um imóvel.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o clima é de apreensão. “Imagine se 70% do atendimento de saúde em Brasília fosse feito pelos hospitais públicos e eles simplesmente deixassem de atender? É mais ou menos o que ocorre com a Caixa, que tem papel tão relevante no setor da construção”, explica.

Segundo Martins, a previsão é de que, em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção tenha encolhido 6%. “Normalmente o setor é responsável por puxar o PIB do país para cima, mas dessa vez devemos puxar em pelo menos 0,5% para baixo”, lamenta o empresário.

O principal problema da Caixa é não saber como a instituição vai se capitalizar para cumprir novas exigências internacionais de solidez financeira e atender padrões regulatórios mínimos quando o documento Basileia III entrar em vigor, em 2019. Isso causou uma espécie de letargia na instituição financeira, o que atingiu diretamente o setor imobiliário, que depende muito do banco para financiar seus clientes.

A solução poderia vir do uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas o plano do Palácio do Planalto foi barrado. Em novembro passado, o Ministério Público fez uma representação junto ao Tribunal de Contas da União sobre possíveis irregularidades em operação entre a Caixa e o FGTS. No documento, foi questionado o plano do governo de injetar dinheiro do fundo no banco estatal.

Apesar do movimento do TCU, o Planalto seguiu com o seu plano e o sinal verde para que o dinheiro do FGTS fosse usado para capitalizar a Caixa foi dado no último dia 4, quando o presidente da República, Michel Temer, sancionou lei que permite a capitalização de até R$ 15 bilhões na Caixa com recursos do fundo.

Pela lei que o Senado e a Câmara dos Deputados aprovaram, fica autorizado que o Conselho Curador do FGTS compre instrumentos híbridos de capital e dívida da Caixa. Por meio de nota, o TCU informou que o processo de questionamento dessa manobra está em tramitação, portanto “não houve apreciação definitiva da matéria”. A Caixa foi procurada pela reportagem, mas não retornou os contatos.

Paralelamente à possibilidade de usar o FGTS, o banco estatal colocou em prática, no ano passado, algumas medidas para enxugar sua operação, como o programa de demissão voluntária (o PDV, que alcançou metade do número previsto de 10 mil desligamentos) e a desaceleração na concessão de crédito, que começou a ser percebida em 2015.

Em 2014, a Caixa liberou R$ 128,83 bilhões em crédito imobiliário, enquanto que em 2016 (dados de 2017 ainda não foram divulgados) a soma foi de R$ 83,46 bilhões. O número de contratos de financiamento imobiliário também apresentou queda expressiva. Enquanto em 2014 foram 1.405.923 contratos, em 2016 esse universo chegou a apenas 620.823.


Setor quer determinar destinação do FGTS
Cássio Figueirôa, diretor de crédito imobiliário e de relações instituições da construtora EMCCAMP, focada em projetos nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, admite que o setor está receoso quanto ao que pode ocorrer com a Caixa e como isso vai se refletir na liberação de recursos habitacionais.

Segundo o executivo, em novembro e dezembro as aprovações de crédito ficaram praticamente paralisadas e só começaram a ser liberadas novamente nos últimos dias do ano, especificamente para a faixa de R$ 4 mil de renda familiar. “Mas ainda percebemos que há muita restrição na aprovação dos contratos. O mercado não está totalmente parado, mas não sabemos o que pode ocorrer se o problema de adequação à Basileia III não for resolvido”, alerta.

Para Renato Lomonaco, gerente de projeto da Associação Brasileiras de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), aprovar a operação de capitalização da Caixa é fundamental para toda a cadeia da construção civil. “É uma falta de sensibilidade muito grande do TCU se não aprovar o uso do FGTS. Será um erro”, reclama.

O mesmo receio sente o setor de materiais de construção, que tradicionalmente vende metade da sua produção para as construtoras e os outros 50% para o varejo. Segundo Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), no ano passado essa proporção mudou em razão da retração nos financiamentos da Caixa.

Com isso, as construtoras passaram a representar 46% das vendas. “Esperamos que em 2018 haja uma recuperação, até porque há sinais de que o desemprego começa a cair e isso pode chegar ao aumento da demanda por financiamentos imobiliários. Sem a Caixa, esse processo de retomada não se sustenta”, adverte Cover.

Na agência de avaliação de risco Fitch Ratings, a situação financeira da Caixa é avaliada como contornável – seja pelo uso de recursos do FGTS, pela venda de ativos ou de participações em outros negócios ou por meio de uma operação envolvendo o Tesouro Nacional. Por isso, segundo Esin Celasun, diretora da instituição, o banco deverá atender às exigências de Basileia III dentro do prazo. “Não vejo piora no cenário da Caixa, seja qual for o caminho escolhido para resolver o problema”, avalia.

Analista de bancos públicos, Esin não acredita na possibilidade de contágio no setor, caso a Caixa venha a continuar a ter dificuldades para conseguir recursos. Pedro Gomes, que também é diretor da Fitch, concorda: “Outros bancos, como Itaú e Bradesco, não têm tido problemas para se adequar à Basileia III. Além disso, os investidores estrangeiros sabem há pelo menos dois anos da situação da Caixa, por isso não terão problemas para avaliar o que acontece com o sistema financeiro brasileiro”, diz.

O que é Basileia III?
A partir de 1º de janeiro de 2019, entram em vigor as regras previstas no documento Basileia III, que prevê padrões regulatórios mínimos para instituições financeiras. O objetivo, definido pelo Fórum de Estabilidade Financeira e pelo grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, é evitar riscos de crédito com a exigência de uma reserva mínima de capital por parte dos bancos.

Quem assina o acordo, que já teve outras duas fases anteriores, são os bancos centrais de todo o mundo. Para os bancos, é a forma de mostrar que podem evitar tomar riscos em demasia, sem que, para isso, tenham impactos muito relevantes tanto na rentabilidade quanto na estratégia de negócio. No caso do Brasil, o Banco Central (BC) vem tomando medidas para definir métricas de controle de risco para os bancos desde 2005.

Inicialmente, essas regras valiam apenas para as instituições com ativos superiores a R$ 100 bilhões. A partir deste ano, esses padrões vão valer para todos os bancos, com o objetivo de reduzir o risco de financiamento a longo prazo. Para o BC, é a forma de garantir que as instituições resistam sem fissuras a momentos de estresse na economia, em especial após período de expansão mais acelerada.

(Portal Estado de Minas - Notícia - Economia - 17/01/2018)

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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Infomoney: Caixa oferta 16 mil imóveis abaixo do valor de mercado

Todas as unidades já possuem garantia da documentação regular e as contas de condomínio e IPTU quitadas até a data da compra

A Caixa Econômica Federal realiza até esta sexta-feira (26) a semana nacional de imóveis próprios. Serão ofertados 16 mil casas, apartamentos, salas comerciais e terrenos de propriedade do banco com preços abaixo do valor de mercado.

São 10,3 mil casas, 4 mil apartamentos, 350 salas comerciais e 1,6 mil terrenos, que podem ser consultados neste link. A Caixa vê oportunidade de compra para investidores do ramo imobiliário e para clientes que buscam casa própria.

Haverá quatro formatos para a aquisição dos imóveis. São elas: leilão, licitação fechada, licitação aberta ou venda direta. Todas as unidades já possuem garantia da documentação regular e as contas de condomínio e IPTU quitadas até a data da compra.

A CAIXA possibilita também o financiamento dos imóveis, com a alternativa de utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), conforme as regras do Fundo.

(Portal Infomoney - Imóveis - Notícia - 24/01/2018)

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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Jornal Metro: Preço do aluguel cai pelo 3º ano consecutivo, com queda real de 23,3%

“Com o aumento do  desemprego e queda na renda, as famílias acabaram comprando ou alugando menos imóveis”

O preço médio para aluguel de imóveis encerrou 2017 com uma queda real de 3,54%, segundo o índice FipeZap. Foi o terceiro ano seguido de recuo do indicador.

Entre 2015 e 2017, a redução, descontada a inflação do período, chega a 23,3%. Em dezembro do ano passado, o valor médio do aluguel de imóveis nas 15 cidades monitoradas foi de R$ 28,25/m2.

“Com o aumento do  desemprego e queda na renda, as famílias acabaram comprando ou alugando menos imóveis”, afirma Allison Oliveira, economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Segundo Oliveira, para 2018, a tendência é de estabilidade nos preços com a retomada da economia. “A renda parou de cair e o desemprego parou de subir. Os preços começaram a mostrar estabilidade. Aos poucos, veremos  uma recuperação”, diz o economista, acrescentando que esse cenário dependerá da evolução da economia.

O resultado do ano passado foi influenciado pelas quedas expressivas dos preços em cidades como Rio de Janeiro (-8,49%), Niterói (-7,20%) e Campinas (-3,40%). Os maiores aumentos, em termos nominais, foram registrados em Recife (4,98%), Curitiba (3,99%) e Florianópolis (3,15%).

(Jornal Metro - Economia - 16/01/2018)

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Infomoney: Brasil viverá uma crise ainda pior se regra dos distratos não avançar, diz fundador da Tecnisa

Contribuição do leitor Eduardo Mazzini

“Quando você acaba recebendo uma unidade de volta, os descontos [para vender a outra pessoa] são de até 70%. A perda é muito grande”, exemplifica. [...] “Se não for aprovada uma lei agora, daqui alguns anos vai vir uma outra crise igual à que passou, ou pior. Passando a regra, a tendência é que a próxima crise seja menos nociva”

Para Meyer Joseph Nigri, fundador e presidente do Conselho da Tecnisa, a regulamentação dos distratos provavelmente será aprovada ainda em fevereiro. Se não for, o Brasil passará no futuro por uma crise “muito pior” que a deixada para trás no fim de 2017.

“Está todo mundo muito consciente da necessidade de rever essa regra. Para mim, tinha que acabar com a possibilidade de distrato”, disse Nigri em entrevista ao InfoMoney. “Mas isso é difícil, porque teria que alterar o Código de Defesa do Consumidor, e acho que não tem clima para isso”, pondera.

Segundo Nigri, os distratos são extremamente prejudiciais à Construção Civil, pois geram desistências, revenda com descontos muito altos e, na pior das hipóteses, atraso ou cancelamento de obras. “Quando você acaba recebendo uma unidade de volta, os descontos [para vender a outra pessoa] são de até 70%. A perda é muito grande”, exemplifica.

Considerando a Construção Civil a indústria mais atingida pela crise, o executivo acredita que uma mudança nas regras para distrato seja essencial para evitar uma crise mais catastrófica no futuro.

Ele vê os estragos no mercado imobiliário como um efeito dominó com capacidade de gerar desemprego em níveis muito altos e aprofundar qualquer crise econômica. “Se não for aprovada uma lei agora, daqui alguns anos vai vir uma outra crise igual à que passou, ou pior. Passando a regra, a tendência é que a próxima crise seja menos nociva”, diz.

O que é a regra
Promessa para uma das indústrias mais atingidas pela crise econômica brasileira, a regulamentação dos distratos pode vir em uma MP que deve padronizar a porcentagem retida pelas empreiteiras em casos de desistência por parte dos compradores. Fala-se na retenção de taxa de corretagem mais mais 50% do valor pago pelo consumidor até a data de desistência, respeitando até 10% do valor total do contrato - ou 30%, respeitando 5% do total, em caso de imóveis dentro dos parâmetros do Minha Casa, Minha Vida. Isso mesmo quando todas as parcelas estiverem em dia.

Em casos de inadimplência, prevê-se retenção de 50% do total pago pelo consumidor que não cumprir com as parcelas por mais de 6 meses e 30% em atrasos entre 3 e 6 prestações. A lei também pretende definir uma multa padrão caso haja atraso na entrega e o prazo para devolução dos valores já pagos pelos consumidores.

Nigri discorda de boa parte dos pontos levantados pelos textos já divulgados e acredita na necessidade de uma regra ainda mais estreita, com menos brecha para a especulação e aproveitamento da queda nos preços por parte dos consumidores. Segundo ele, a minoria das pessoas distrata porque realmente necessita - ou seja, por motivos de saúde ou perda de emprego. Por esse motivo, quanto mais duras fossem as regras, melhor para a indústria.

Edição: o fundador da Tecnisa entrou em contato com o InfoMoney explicando que não acredita que a regulamentação dos distratos seja feita por meio de uma Medida Provisória, como constava em versão anterior deste texto. A reportagem foi editada.

(Portal Infomoney - Negócios - Grandes Empresas - Notícias - 17/01/2018)

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Jornal da USP: Queda do preço dos imóveis novos revela o tamanho da crise

Para se ter uma ideia do tamanho da crise no setor imobiliário, em dezembro de 2014, mais de 33 mil imóveis foram financiados para compra. Em novembro do ano passado, o dado mais recente, foram pouco mais de 8 mil

O preço de vendas dos imóveis residenciais prontos caiu 17%, já descontada a inflação, no período mais agudo da crise econômica, que foi de 2014 a 2017. O Índice FipeZap, feito com base no mercado de 20 cidades do Brasil, indica que, descontado o IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, estimado em 2,78% para o ano passado, a queda no valor dos imóveis foi de 3,23% de janeiro a dezembro de 2017.

A piora do mercado de trabalho em função do aumento do desemprego e a escassez de crédito imobiliário são apontados pelos especialistas como algumas das causas dessa retração no preço dos imóveis.

Para se ter uma ideia do tamanho da crise no setor imobiliário, em dezembro de 2014, mais de 33 mil imóveis foram financiados para compra. Em novembro do ano passado, o dado mais recente, foram pouco mais de 8 mil. O cálculo é da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança.

O professor Edgard Monforte Merlo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP, diz que o setor da construção civil e, consequentemente, o imobiliário,  é um dos mais sensíveis à crise e, por sua vez, um dos que mais demoram a reagir numa retomada do crescimento.

(Jornal da USP - Atualidades - 11/01/2018)

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Infomoney: Mesmo diante dos fatos, mercado ainda nega a bolha imobiliária

O post de hoje mostra como o mercado, apesar de todas as evidências, ainda tenta negar a bolha imobiliária, usando de subterfúgios e eufemismos. Aguardamos a análise crítica de nossos leitores

Entre 2008 e 2012, período cujo início é paralelo ao colapso das hipotecas subprime nos Estados Unidos, o mercado imobiliário brasileiro pareceu imune à crise do país norte-americano e viu um ciclo impressionante de valorização em seus preços de venda. Uma pessoa que adquiriu imóvel no final de 2007 o acompanhou valorizar ao menos 79,4% nos 4 anos até 2012. Quem esperou até o fim de 2014 para vender provavelmente conseguiu prêmio de 112,86% no valor, com base em dados do Índice Fipezap.

Impulsionada por fatores como o acesso facilitado ao crédito imobiliário, aumento da renda, redução nas taxas de juros e otimismo causado pela boa fase na economia em geral, essa valorização marcou um período virtuoso, mas chegou a um limite. A partir de 2015, a crise econômica fincou pé nesse mercado, que acabou sendo um dos mais atingidos pela recessão. Naquele ano, a valorização dos preços de imóveis foi de apenas 1,32% em termos nominais – o que significou queda real de 8,48% (descontada a inflação do período). Os dois anos seguintes, ainda na crise, apresentaram variação de 0,57%, e 2017 representou o primeiro ano na série histórica que o indicador apresentou queda nominal, caindo 0,53% na comparação com 2016. Isso foi reflexo de fatores como alto desemprego, aumento da inflação e queda no PIB (Produto Interno Bruto).

Houve bolha?
Para especialistas, apesar da mudança acentuada de rumo, não é possível afirmar que houve uma bolha imobiliária no Brasil. Caio Bianchi, Diretor de Inteligência de Mercado do Zap, acredita que é “especulação da internet” usar esse termo em referência à reação do mercado à crise econômica brasileira. Diferentemente de uma euforia sem embasamento, o início do círculo virtuoso brasileiro poderia ser previsto e se deu partir do momento que as pessoas passaram a ter mais acesso a crédito.

Isso ocorreu, explica Bianchi, principalmente como resultado da regulamentação da alienação fiduciária, que incentivou um financiamento a longo prazo com juros baixos. A lei que regulamenta essa questão data de 20 de novembro de 1997, mas uma alteração de 2004 permitiu que “operações de comercialização de imóveis, com pagamento parcelado, de arrendamento mercantil de imóveis e de financiamento imobiliário em geral” pudessem “ser pactuadas nas mesmas condições permitidas para as entidades autorizadas a operar no SFI”. Na prática, as instituições ganharam a opção de usar o próprio imóvel como garantia em caso de inadimplência do tomador de empréstimo - naturalmente, ficou mais seguro oferecê-lo.

Com o acesso ao crédito, uma altíssima demanda reprimida no mercado deu as caras – o que se traduziu em liquidez e aumento nos preços. Contribuiu para isso o lançamento do Minha Casa Minha vida, que, em 2009, inaugurou um movimento de procura até então inédito. Nessa época, as empreiteiras construíam sem parar praticamente só para atender a uma população aparentemente insaciável por novos imóveis.

Uma consequência foi a “empolgação” das grandes empresas da indústria imobiliária. Entre 2006 e 2011, a bolsa de valores registrou 20 IPOs e 16 Follow-ons de empresas do setor de Construção Civil, reflexo do otimismo desse mercado.

O problema é que na vida real não existe demanda eterna, e o aumento da oferta se chocou com uma redução íngreme da procura durante o que viria a ser a maior recessão da história do Brasil até então. “Mas tanto não era bolha que, mesmo neste cenário, observamos queda bastante comportada nos preços. As variações se mantiveram nominalmente positivas até 2016”, ressalta o Diretor do Zap. “O que vimos nos anos anteriores à crise não era uma bolha, e sim efeito da melhora na economia”, resume.

Aluguel
Durante a mesma crise, a contração nos preços dos alugueis foi consideravelmente maior que a de venda. Isso ocorreu, segundo a análise do Zap, porque a correção nessa frente ocorreu nos próprios preços, diferentemente da venda, que viu a demanda como principal atingida.

“Como o financiamento facilita a compra, o momento de prosperidade econômica se refletiu muito na venda de imóveis. Existem também fatores não totalmente racionais para a aquisição, o chamado sonho da casa própria”, explica Bianchi. Por essa mesma razão, ele acredita que os valores de aluguéis são, comparativamente, mais líquidos. Isso potencialmente explica a variação grande na valorização dos preços em 2009, justamente o ano inicial do Minha Casa Minha Vida.

E 2018?
Ainda existe “excesso” nas construções que não foram ocupadas durante a crise, mas essa oferta não deve significar que o movimento decadente continuará para o ano que acaba de começar. Quase unanimemente, o mercado espera retomada relativamente fraca nos preços e estabilidade para os próximos meses, tanto em aluguel quanto em compra.

Segundo estimativas da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o financiamento imobiliário com recursos originados nas cadernetas de poupança deve crescer 15% em 2018, avanço que deverá se concentrar nos empréstimos destinados à compra de moradias, enquanto o crédito para a construção de novos empreendimentos tende a continuar lento.

Concomitantemente, a queda na taxa básica de juros (Selic), que fechou 2017 em 7% ao ano, deve ser, aos poucos, repassada ao consumidor que toma crédito imobiliário, o que também incentiva a compra. A somatória desses dois fatores é o suficiente para iniciar o equilíbrio no mercado, mas não para revolucionar a movimentação dos preços.

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o terceiro trimestre de 2017 contou com o lançamento de 15.593 unidades residenciais verticais. Uma queda de 12,2% com relação ao segundo trimestre de 2017, mas um aumento de 4,1% com relação ao terceiro trimestre de 2016, considerando o total geral. As vendas no terceiro trimestre totalizaram 21.074 unidades residenciais, uma queda aproximada de 7,4% em relação ao trimestre anterior.

Considerando esses dados, nota-se que a queda em lançamentos acompanhou redução das vendas. “No entanto, o cenário é de recuperação do mercado, pois tanto os lançamentos quanto as vendas cresceram em relação ao mesmo período do ano anterior”, escreveu a entidade em relatório.

Para Bianchi, uma quebra nesse fluxo de equilíbrio ocorreria apenas caso houvesse “movimentos abruptos na economia como um todo”. Referenciando as eleições de outubro, o executivo confia que, independentemente do candidato vencedor, a política econômica provavelmente não será radicalmente modificada: “a maioria dos economistas aposta que será mantida a política atual”, pondera.

(Portal Infomoney - Imóveis - Notícia - 12/01/2018)

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Folha: Preço dos imóveis ainda vai cair?

O investimento na construção civil (imóveis e infraestrutura) apenas parou de piorar, mês a mês, no terceiro trimestre de 2017. No ano, a queda deve ter sido ainda de uns depressivos 6%. Desde o terceiro trimestre do ano passado, porém, as incorporadoras parecem mais animadas

O preço dos imóveis caiu pelo terceiro ano seguido em 2017. A baixa real dos preços (descontada a inflação) desde 2014 foi de mais de 16%.

Os imóveis estão baratos? Não é bem assim.

Os preços vão cair mais? No chute informado de economistas e negociantes do setor, devem ficar estagnados neste ano, na média.

Para começar, quem entende do riscado deve estar torcendo o nariz para essas perguntas. Imóveis de padrão muito parecido, mas por exemplo distantes dois quarteirões um do outro, não apenas podem ter preços diferentes, mas também se valorizar ou desvalorizar em ritmos diversos. Médias nacionais ou mesmo preços para uma cidade podem esconder tanto pechinchas quanto valores inabalavelmente altos.

Isto posto, o que se pode dizer sobre a tendência média dos preços?

Na cidade de São Paulo, os preços chegaram a cair 8% no vale da crise, em agosto de 2016; no final de 2017, caíam 1,3% ao ano. No Rio, chegaram a cair mais de 11% em meados de 2016; como qualquer crise é pior por lá, ainda baixavam 7% no final de 2017. São contas feitas com base no índice FipeZap.

Estão baratos? Em São Paulo, o preço médio chegou a subir 20% ao ano em meados de 2011, auge da valorização; no Rio, 35%. Essa gordura não foi lá muito queimada na crise, durante esta nossa grande recessão. Em São Paulo, os preços estão ainda 66% mais altos do que em dezembro do longínquo 2008; no Rio, 77% (sempre em termos reais. Isto é, descontada a inflação do período).

Essa alta resistente de ainda uns 70% é grande? Quem investiu em títulos de longo prazo do governo (Tesouro Direto), ganhou mais, por exemplo (sim, o governo dá dinheiro para quem já tem).

Preço ainda alto e vendas ruins
No entanto, considerados os encalhes e a situação das vendas, é possível pensar que o preço médio ainda está alto. Os dados de vendas de imóveis de médio e alto padrão ainda são muito ruins, segundo os dados das empresas associadas à Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), calculados pela Fipe: queda de 13,9% das vendas, de janeiro a outubro de 2017 (ante igual período de 2016). No caso dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida, a alta foi expressiva, de 30%.

Algumas das condições de mercado melhoraram. As taxas de juros para a compra de imóveis estão quase tão baixas quanto em 2013 e inferiores às da época do pico do boom imobiliário, em 2011. O endividamento das famílias, embora ainda alto, retrocedeu ao nível de março de 2011 (medido pelo peso das prestações, o serviço da dívida, sobre a renda, na média). O desemprego alto, a desconfiança econômica ainda grande e a retranca de bancos e consumidores devem estar segurando os negócios.

O investimento na construção civil (imóveis e infraestrutura) apenas parou de piorar, mês a mês, no terceiro trimestre de 2017. No ano, a queda deve ter sido ainda de uns depressivos 6%. Desde o terceiro trimestre do ano passado, porém, as incorporadoras parecem mais animadas.

Resumo da ópera, a baixa do preço médio dos imóveis deve estar chegando ao fim. Na média, não estão exatamente baixos, não tem casa barata em baciada, mas o mercado deve ter vários bons negócios, para quem fuçar (além de gente dona de imóvel encalhado e com dívidas a pagar).

(Folha de São Paulo - Colunas - Vinícius Torres Freire - 04/01/2018)

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