Total de acessos

Teste

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Valor: Em três anos, setor imobiliário perde 1 milhão de empregos com distratos


Segundo o coordenador de pesquisas da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Eduardo Zylberstajn, o indicador de preço de imóveis do Radar Abrainc está no seu pior momento. [...] O maior ajuste decorrente da crise, conforme Zylberstajn, foi o encolhimento de 50% do tamanho do mercado

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antônio França, afirmou nesta terça-feira que o setor perdeu quase 1 milhão de empregos nos últimos três anos devido aos distratos de vendas de imóveis principalmente de média renda. "Se o problema do distrato não for resolvido rapidamente, a melhora do setor será muito pequena perto do que pode ocorrer", disse França, na abertura de seminário Cenários e Perspectivas para o Setor Imobiliário Brasileiro, promovido pela entidade, em São Paulo.

O representante setorial ressaltou também que a cada dia o setor "acorda com uma novidade". "A última foi a liminar que suspendeu o direito de protocolo em São Paulo", afirmou. Por esse direito, projetos protocolados antes de a nova Lei de Zoneamento ter entrado em vigor, na capital paulista, poderiam seguir as regras antigas. "Não é possível empreender em um país em que o projeto é definido em determinada regra, mas a regra muda", disse França.

Segundo o coordenador de pesquisas da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Eduardo Zylberstajn, o indicador de preço de imóveis do Radar Abrainc está no seu pior momento. "Os preços caíram pouco [nos últimos anos] pelo tamanho da crise", afirmou. O índice é calculado pela fundação em parceria com a associação.

O maior ajuste decorrente da crise, conforme Zylberstajn, foi o encolhimento de 50% do tamanho do mercado. "A velocidade de vendas foi reduzida", disse. Não se espera, com o atual patamar de juros, altas expressivas nos preços dos imóveis no curto e médio prazos. "É difícil imaginar que o prazo médio de financiamento - atualmente, de 28 anos - crescerá muito nos próximos anos", afirmou. Há espaço, porém, para alguma redução dos juros, ainda que marginal.

(Valor Online - Empresas - 24/04/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Globo: Crise e excesso de oferta derrubam mercado imobiliário no Rio


Há muitos casos em que proprietários oferecem até dois anos de carência, ou seja, de aluguel gratuito, somente para repassarem os custos de condomínio e taxas. [...] Muitos estão com a corda do pescoço, então eles estão aceitando ouvir todas as propostas. [...] Estamos administrando problema, e não aluguel. E perdendo cada vez mais dinheiro

A crise econômica no Rio causa impacto em diversos setores da indústria, dentre eles o mercado imobiliário, um dos que mais enfrentam dificuldades para retomada. Na Barra, uma especificidade faz surgirem efeitos radicais. Em função principalmente da Olimpíada, a região recebeu, nos últimos anos, diversos novos empreendimentos. Mas a alta da oferta hoje se contrapõe à baixa demanda para absorver tantas unidades, especialmente as comerciais. Com isso, há muitos casos em que proprietários oferecem até dois anos de carência, ou seja, de aluguel gratuito, somente para repassarem os custos de condomínio e taxas.

Se a Barra já era o principal destino da expansão imobiliária na cidade, essa tendência foi potencializada no período entre Copa do Mundo e Olimpíada. Mas, até três anos atrás, o ritmo era acompanhado pela demanda, desacelerada com a acentuação da crise econômica no país, que assola o Rio com mais força do que outros estados. No ano passado, construtoras evitaram lançamentos na região, mas ainda assim a vacância de apartamentos e salas comerciais continua grande.

De acordo com os dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi Rio), no mês passado havia 723 salas comerciais à venda no bairro. Esse número, no mesmo mês de 2014, ou seja, antes de a crise começar, era de 542. Sendo assim, houve aumento de 33%. Enquanto isso, o valor médio do metro quadrado, que há quatro anos era de R$12.233, hoje é de R$ 9.456, uma queda de 22,7%.

Apesar de a oferta de apartamentos residenciais à venda também ter aumentado, e em grande proporção — 73% —, o valor do metro quadrado não teve queda acentuada. A média geral, na Barra da Tijuca, foi de R$ 9.893 para R$ 9.684. Em relação ao aluguel, a variação é semelhante. Em março deste ano, havia 1.048 salas comerciais ofertadas, contra 736 em 2014, e o valor do metro quadrado teve queda de 41,35%. 

Proprietários com a corda no pescoço 
Isso mostra que a oferta aumentou e o valor caiu em todos os aspectos, mas o segmento que mais sofre é o comercial. Numa rápida pesquisa no site Zap Imóveis, é possível encontrar diversas ofertas de aluguel de lojas na região a preços simbólicos, como R$ 30 ou R$ 10. Os resultados não são um erro do sistema. Abrindo-se alguns anúncios, inclusive, pode-se ler, entre as condições, que na verdade a proposta é de “aluguel zero”. Muitos proprietários, para se livrarem do alto custo de condomínio e IPTU, optam por abrir mão do dinheiro do aluguel, pelo menos nos primeiros 12 ou 24 meses de contrato.

— De um lado, o locatário se beneficia, pois não vai pagar aluguel; do outro, o locador não vai ter o encargo das taxas. Os dois ganham — resume a corretora Andreia Botelho. — Muitos proprietários estão com a corda do pescoço, então eles estão aceitando ouvir todas as propostas. Tive um caso em que a carência era de um ano, mas eu sugeri aumentar para dois. Fica uma oferta praticamente irrecusável para quem vai começar um negócio, pois normalmente o lucro do empreendedor só vem depois de um ano, e ele vai cortar custos no início.

Andreia trabalha por conta própria e tem muitos clientes na Barra. Entre os imóveis comerciais que negocia há unidades nos shoppings Barra Garden e Barra Square, onde tenta encontrar locatário para uma loja desde fevereiro do ano passado. De acordo com ela, as taxas mensais no Barra Square chegam a R$ 3.600 de condomínio e R$ 1.300 de IPTU. Recentemente, a proprietária da loja aceitou conceder dois anos de carência, e está próxima de fechar um acordo.

No Barra Garden, as taxas são um pouco menores, segundo Andreia: R$ 2.200 de condomínio e R$ 750 de IPTU. Por isso, lá as ofertas normalmente são de um ano de carência. Dono da imobiliária que administra o Barra Square e coproprietário do empreendimento, Luiz Antonio Ritzel explica que precisou “fazer ginástica” para os resultados aparecerem.

— Não estamos bombando, mas conseguimos resultados planejados e hoje estamos com 96% de taxa de ocupação. No ano passado, reformamos a praça de alimentação, a fachada e o sistema de ar. Além disso, fazemos eventos de promoção, como shows — explica Ritzel.

Mesmo só começando a receber aluguel depois de muito tempo, os proprietários que optam pela carência não costumam fazer contratos longos com os locatários. O tempo médio é de 30 meses. Ou seja, é possível que ao final ele só tenha garantido seis meses de aluguel.

— Em muitos casos, o proprietário acaba tendo a sensação de estar lucrando só por não precisar desembolsar esse custo de condomínio — explica Leandro Clementino, proprietário da imobiliária Rio Hype Imóveis. — Esse fenômeno do aluguel de graça é impulsionado porque, 80% das vezes, as salas estão no osso, já que as construtoras nem sempre as entregam finalizadas. O proprietário repassa para o inquilino os custos com piso, teto, iluminação e ar-condicionado, que podem chegar a R$ 20 mil, e abre mão do aluguel.

Aos trancos e barrancos
Depois de trabalhar como gerente comercial da RJZ Cyrela por oito anos, Clementino abriu sua imobiliária em 2013. Ele diz que começou a ouvir sobre aluguéis gratuitos ao fim da Olimpíada. E a via onde mais se encontram esses casos, afirma, é na Abelardo Bueno, devido à grande oferta de salas comerciais. Antes dos Jogos, houve absorção considerável dos lançamentos, explica, mas a vacância se acentuou rapidamente já a partir do segundo semestre de 2016.

A avenida hoje tem empreendimentos de grandes construtoras, como o Dimension, da Odebrecht; o Universe, da Cyrela; e o One World Office, da Tegra. Para uma sala de 30 metros quadrados, por exemplo, o condomínio custa em média entre R$ 700 e R$ 900; e o aluguel, se não houver carência, é de mil reais, segundo Clementino.

— Em 2013, quando abri a imobiliária, era impossível encontrar oferta de carência, e os aluguéis eram muito mais altos. Eu me lembro que um aluguel que custava R$ 3 mil no Le Monde hoje está em R$ 1.700 — conta Clementino, que prevê uma melhora no bairro em 2018, mas não para a Abelardo Bueno. — Estamos nos mantendo aos trancos e barrancos, mas tenho recebido mais visitas de interessados em salas comerciais. Já na Abelardo Bueno penso que vai demorar no mínimo mais dois anos até atingirmos 50% de ocupação.

Na "sofrência"
Uma proprietária que sofre para alugar imóveis é Aline Cardoso, gerente na Patrimóvel. Nos últimos dois anos e meio, ela considera que o mercado ficou “achatado”. Às vezes, nem o aluguel simbólico é vantajoso, diz.

— Há casos em que o inquilino não paga nem o condomínio nem o IPTU, e a dívida fica com o proprietário — diz Aline, que já sofreu com calote. — Acabei de retomar um apartamento por causa disso. Em um ano, o inquilino não pagou nada. Tive que entrar na Justiça. Ou seja, não só não recebi aluguel como tive custos extras.

Hoje, Aline pede R$1.500 de aluguel por um apartamento mobiliado de dois quartos no Barra Sul. O preço normal, diz, era de R$ 2.200 antes da crise, sendo que na Olimpíada ela chegou a alugá-lo por R$ 2.800. Outra modalidade que se tornou mais frequente foi o aluguel por temporada.

— Tive que baixar o preço em quase 30%, e mesmo assim ouço propostas abaixo desse valor. O mercado de locação está muito prejudicado no Rio. Com o boom da Olimpíada, os investidores acharam que teriam retorno fácil e muita gente comprou imóvel, mas a oferta não foi absorvida — explica Aline, que também enxerga um esboço de melhora. — Já chegamos ao fundo do poço. Pelo menos os preços se estabilizaram, não estão caindo mais. Está muito devagar, mas começando a melhorar. Para vender está um pouco melhor.

Perdendo cada vez mais dinheiro
A crise faz com que o mercado precise pensar em diferentes soluções para sanar as dificuldades. Com o aumento das “funções” que precisa exercer, o corretor Helladio Blanco define desta forma a mudança no seu trabalho:

— Estamos administrando problema, e não aluguel. E perdendo cada vez mais dinheiro.

Blanco também cita a resistência de clientes a se adequarem à realidade econômica. Ele diz que, hoje, não trabalha com nenhuma oferta de aluguel gratuito, mas que já fez essa sugestão diversas vezes:

— Os preços já estão razoáveis, mas sempre proponho abaixar mais. Eu tento mostrar a necessidade, mas tem gente que fica esperando algum milagre político, como se a situação fosse melhorar da noite para o dia. Apesar dos anúncios, não estamos tendo tanto retorno. A internet é onde consigo mais acordos, mas os clientes mais velhos não compreendem tanto essa possibilidade.

Apesar do contexto desfavorável, muita gente do mercado aposta que a retomada vá começar este ano, primeiro pelos apartamentos residenciais, que estão com absorção melhor do que há dois anos. O maior desafio é, realmente, o segmento comercial. Gerente da imobiliária Sawala, Matheus Pires diz que as vendas e locações estão crescendo, mesmo que devagar.

— A parte de aluguel comercial está aquém do que todo mundo imaginava. Mas acho que 2016 e 2017 foram piores, e o mercado está começando a se reaquecer. O problema é que muitos prédios comerciais concebidos na época do boom, entre 2011 e 2012, só ficaram prontos durante a crise. Como as construtoras têm fluxo de caixa, não ficam tão desesperadas. Os preços mais radicais são oferecidos por proprietários que precisam alugar imóveis de qualquer forma.

(O Globo - Rio - Bairros - 19/04/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Folha: Brasil tem mais empresários pessimistas com setor imobiliário, diz pesquisa


Contribuição do leitor Eduardo Mazzini

O Brasil é também o país em que mais empresários afirmaram que estão fazendo desinvestimentos e reduzindo o nível de negócios no contexto atual. [...] “Os distratos em relação às vendas estão em 42%, é insustentável. O empresariado não consegue investir em uma venda que ele não sabe se vai se concretizar” 

Os empresários brasileiros do ramo imobiliário estão mais pessimistas do que seus pares em outros países da América Latina, na ressaca de uma crise que derrubou o mercado de imóveis no Brasil em 2015 e 2016.

É o que aponta pesquisa do GRI Club com 340 atores — construtoras, incorporadoras, bancos de fomento, consultorias, advogados, entre outros — do setor no Brasil, Chile, México, Peru, na Argentina e na Colômbia.

O Brasil é o único desses países em que há empresários que consideraram regular (7,95%) ou péssima (0,66%) a expectativa de resultados de sua empresa nos próximos 12 meses.

A maioria (54,3%), no entanto, tem projeções boas, e 7,28% acham que os resultados serão excelentes.

Os mais otimistas são os mexicanos: 70,59% veem boas perspectivas, e 11,76%, excelentes.

Em 2017, as vendas de imóveis residenciais no Brasil voltaram a crescer (6,1%) impulsionadas por unidades populares, que avançaram 28,1%, de acordo com dados da Abrainc (associação de incorporadoras imobiliárias).

“O segmento popular vai bem porque há um déficit habitacional muito grande”, afirma Luiz Antônio França, presidente da associação.

Investimentos
O Brasil é também o país em que mais empresários afirmaram que estão fazendo desinvestimentos e reduzindo o nível de negócios no contexto atual. Mais de 29% dos entrevistados brasileiros disseram que observam o mercado para tomar decisões.

As empresas estão investindo e ampliando seus negócios mais no México (76,47%). No Brasil, 63,16% dos entrevistados afirmaram que estão realizando investimentos.

Segundo Gustavo Favaron, presidente do GRI Club (espécie de clube global de líderes do setor imobiliário), há uma atmosfera favorável para os negócios na América Latina.

“A região desperta hoje muito interesse tanto dos players locais quanto internacionais, embora todos estejam atentos às mudanças que podem acontecer ao longo deste ano com as eleições em diversos países”, afirma.

Para França, da Abrainc, o mercado brasileiro só vai voltar a andar com segurança quando for resolvida a questão dos distratos (cancelamento da compra do imóvel). Sem consenso legal, entidades da indústria da construção e de direito do consumidor divergem sobre em quanto e até se as construtoras devem restituir o comprador nesses casos.

“Os distratos em relação às vendas estão em 42%, é insustentável. O empresariado não consegue investir em uma venda que ele não sabe se vai se concretizar”, diz França.

(Folha de São Paulo - Mercado - 11/04/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Exame: Não há recuperação com nível baixo de carteira assinada, diz IBGE


Mas não dá para falar em recuperação quando tem um nível de carteira (assinada) chegando ao patamar mais baixo. A crise foi tão agressiva que até emprego de baixa qualidade afetou”. [...] A indústria eliminou 244 mil vagas, enquanto a construção demitiu 277 mil empregados

Apesar da melhora de alguns indicadores do mercado de trabalho, ainda é difícil determinar que esteja em recuperação, avaliou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de desemprego passou de 12,0% no trimestre encerrado em novembro de 2017 para 12,6% no trimestre até fevereiro de 2018. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo IBGE.

“O mercado de trabalho não deve ser analisado somente pela taxa de desemprego. É um erro, tem que ser analisado o conjunto. Tem que ver a qualidade do emprego. Que população ocupada é essa?”, questiona Azeredo. “Tivemos um aumento na fila de desocupação de meio milhão de pessoas (no trimestre encerrado em fevereiro de 2018 ante o trimestre encerrado em novembro de 2017). Dizer que tem um quadro favorável é complicado, porque o nível de desocupação ainda é muito elevado, e a base de comparação é muito ruim, qualquer crescimento vira um salto”, ponderou.

Azeredo lembrou que, no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, o total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou o menor patamar da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012: 33,126 milhões de pessoas.

O montante significa que o País tem 3,5 milhões de vagas formais a menos do que o pico de 36,672 milhões de vagas com carteira assinada registrado no trimestre encerrado em agosto de 2014.

Não há recuperação
“Não posso usar o termo recuperação (para o mercado de trabalho). Tem aumento de ocupação, mas muito voltada para a informalidade. Tem desaceleração no aumento da desocupação e na redução da carteira assinada. Mas não dá para falar em recuperação quando tem um nível de carteira (assinada) chegando ao patamar mais baixo. A crise foi tão agressiva que até emprego de baixa qualidade afetou”, frisou Azeredo.

Azeredo calcula que, atualmente, quase 40% da força de trabalho no Brasil estão na informalidade, incluindo trabalhadores por conta própria, sem carteira assinada no setor privado, trabalhador familiar auxiliar e pequenos empregadores. “Esse número era entre 33% e 34% antes da crise, em 2014”, lembrou.

Dois setores importantes para a economia dispensaram trabalhadores no trimestre encerrado em fevereiro ante o trimestre terminado em novembro do ano passado. A indústria eliminou 244 mil vagas, enquanto a construção demitiu 277 mil empregados.

No caso da construção, Azeredo explica que as dispensas ocorreram em canteiros de grandes obras de edificações. Na indústria, os cortes foram disseminados entre as atividades industriais, embora os setores de alimentos e de vestuário ainda estejam puxando as contratações na comparação com um ano antes, o trimestre encerrado em fevereiro de 2017.

(Exame.com - Economia - 29/03/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Veja: Construção vê risco ao setor com liberação do FGTS a quem se demite


Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), a proposta coloca em risco o financiamento de habitação e investimento em projetos de saneamento e infraestrutura

Aprovado na quarta-feira pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, o projeto de lei que autoriza o saque integral da conta vinculada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por trabalhador que pedir demissão não agradou os representantes do setor da construção. Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), a proposta coloca em risco o financiamento de habitação e investimento em projetos de saneamento e infraestrutura.

“Este projeto vai de encontro ao propósito original do FGTS de ser uma proteção ao trabalhador demitido sem justa causa. Em 2017, o fundo já foi alvo do saque de contas inativas, que retirou mais de 42 bilhões reais de seu saldo e constantemente sofre tentativas de ter seus recursos desviados para outros fins”, diz a nota da entidade.

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França, afirma que está dialogando com o governo para mostrar o impacto da medida. “Nossa interlocução com os ministérios e secretárias tem sido positiva. Estamos conseguindo expor nossas ideias e, com base em estudos, mostrar o impacto para a sociedade dessa medida”, afirma França.

Pelas regras atuais, o saque de 100% do dinheiro depositado no FGTS é permitido apenas aos trabalhadores demitidos sem justa causa. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já prevê o resgate de 80% do FGTS em casos de acordo entre patrão e empregado. O saque integral também pode ser feito quando a conta está inativa por três anos.

Também estão previstos saques para doentes terminais, pessoas com câncer ou portadores do vírus HIV, entre outros.

Distorção histórica
Para o relator da matéria na CAS, senador Paulo Paim (PT-RS), este é um passo a mais rumo à “correção de uma distorção histórica” na legislação que trata do FGTS, que buscava restringir o acesso a esses recursos que são do trabalhador.

Se não houver apresentação de recurso para análise do tema no plenário do Senado, o texto seguirá diretamente para apreciação na Câmara dos Deputados. Se for aprovado, vai para sanção presidencial.

(Portal Revista Veja - Economia - 12/04/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Valor: Empresas têm receio de investir, afirma entidade do setor imobiliário

A relação de distratos sobre as vendas está em 40% atualmente. "Isso é um absurdo e não existe em nenhum lugar do mundo", afirmou

O presidente da Federação Internacional Imobiliária no Brasil (Fiabci-Brasil), Rodrigo Luna, afirmou nesta segunda-feira que iniciou o ano com expectativa de que o setor teria um pequeno crescimento em relação a 2017 na cidade de São Paulo, mas que o momento atual é de muita insegurança jurídica e política. "O setor privado está com receio de fazer investimentos. Com a mudança de regras no meio do caminho, os empresários perdem a confiança no que foi dito e combinado", afirmou Luna.

As duas questões que mais provocam insegurança jurídica, atualmente, são a falta de regulamentação dos distratos e a liminar que suspendeu o direito de protocolo, na avaliação do presidente da Fiabci-Brasil. O direito de protocolo possibilitava que projetos protocolados na Lei de Zoneamento anterior poderiam manter as regras antigas.

"Há 88 lançamentos previstos para acontecer ao longo de 2018, em São Paulo, que estão parados devido à mudança das regras", disse, ressaltando que foi possível o setor lançar mais no ano passado do que em 2016 por causa dos projetos protocolados na Lei de Zoneamento anterior. "Se o direito de protocolo não for preservado, afirmo que 2018 será pior do que 2017 na cidade de São Paulo", disse o presidente da Fiabci.

Distratos
Para o presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antônio França, falta um marco regulatório para os distratos. Ele também criticou a liminar que suspendeu o direito de protocolo na capital paulista. "Cada dia em que a gente acorda, há uma bomba para desmontar. Não parece que estamos aqui para produzir e gerar empregos", disse.

Segundo ele, a relação de distratos sobre as vendas está em 40% atualmente. "Isso é um absurdo e não existe em nenhum lugar do mundo", afirmou.

Na avaliação de França, o momento é de "virada", e o setor está pronto para a retomada do ciclo imobiliário. "Empreendimentos de ponta já ressurgem nas áreas nobres de São Paulo. O caminho será mais firme com a regulamentação dos distratos", afirmou durante Summit Imobiliário 2018, evento realizado nesta segunda-feira em São Paulo.

Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, em todos os setores da economia, incluindo o imobiliário, há necessidade de atenção a questões estruturais. "A regulamentação dos distratos é o tipo de agenda que precisa avançar no setor", disse também presente ao evento.

Ela ressaltou que a crise econômica dos últimos anos foi "muito severa e atingiu o balanço de empresas e famílias". "A digestão da crise é, naturalmente, mais lenta", afirmou. A representante da XP destacou que há uma restrição fiscal "enorme, que só vai piorar se não houver reformas".

Segundo a economista, se o Brasil errar, nesta eleição presidencial, estará comprometendo o futuro. "Espero que, até lá, o país esteja mais coeso, porque é mais fácil aprovar reformas em um país unido", disse a economista durante o Summit Imobiliário 2018, realizado nesta segunda-feira em São Paulo.

Expectativa
De acordo com Zeina, ainda assim, a expectativa para o setor imobiliário é positiva. "O corte da taxa de juros leva dois trimestres para ser sentido de forma clara na economia. Ainda há um impacto para se materializar", afirmou.

Na avaliação do economista da Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) Eduardo Zylberstajn, a taxa de juros pode seguir em queda em 2019 se for eleito para o cargo de presidente da República um candidato comprometido com a continuidade das reformas, o que abriria espaço para aumento de preços dos imóveis.

"Com os juros atuais, preços dos imóveis estão muito próximos do valor justo", disse o economista. Não há como falar de investimentos no mercado imobiliário sem abordar a queda da taxa de juros, segundo Zylberstajn. De acordo com o economista, como o juro real caiu pela metade, na última década, é natural que preço dos imóveis tenha dobrado.

De acordo com o sócio da Hemisfério Sul Investimentos (HSI), Máximo Lima, tem faltado cautela ao mercado de escritórios de padrão triple A em SP. "Os preços de venda em São Paulo não fazem o menor sentido", disse Lima, ressaltando que os valores das operações recentes de compra e venda, consideram que o aluguel vai dobrar.

Não deve haver mudanças muito grandes nos patamares de locação de escritórios até que a oferta disponível seja ocupada, segundo ele. A gestora concentrou aquisições em shopping centers nos últimos dois anos, considerando que a retomada do consumo ocorre antes dos demais segmentos imobiliários.

Para o diretor-executivo do mercado imobiliário da Blackstone, Marcelo Fedak, na definição de aquisições, é preciso buscar imóveis baratos e melhora operacional, pois não há clareza de como ficarão os preços de locação. "O que tentamos achar são oportunidades apoiadas em negócios possíveis em que oferta e demanda estão equilibradas", disse.

(Valor Online - Empresas - 09/04/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Portal UOL: Justiça condena construtora por atraso na entrega de imóvel


De acordo com a sentença, a previsão de entrega da obra era 30 de dezembro de 2015, com prazo de tolerância de até 180 dias, previsto em contrato. No entanto, a construtora teria finalizado a obra um ano depois, em dezembro de 2016

A Justiça condenou uma construtora a pagar R$ 129 mil a um cliente por ter atrasado a entrega do apartamento e por quebra de contrato. O valor corresponde a 100% do que havia sido pago pelo comprador do imóvel. A construtora também deverá pagar R$ 3.000 a ele por danos morais.

A sentença da 13ª Vara Cível de Fortaleza (CE) foi publicada no dia 22 de março. A construtora pode recorrer. O UOL não conseguiu falar com a empresa.

Um ano de atraso
A compra foi feita em agosto de 2012. De acordo com a sentença, a previsão de entrega da obra era 30 de dezembro de 2015, com prazo de tolerância de até 180 dias, previsto em contrato. No entanto, a construtora teria finalizado a obra um ano depois, em dezembro de 2016.

O atraso, segundo a construtora, teria acontecido por motivos "alheios à sua vontade", como greve dos trabalhadores da construção civil, dificuldade na obtenção dos materiais adequados e escassez de mão de obra qualificada. Na sentença, a juíza Francisca Farias afirma que a empresa não comprovou essas alegações.

Segundo o processo, o comprador do imóvel alega que havia pedido, em janeiro de 2017, o distrato (quebra do contrato) e o reembolso das parcelas pagas, além de informações sobre a entrega da obra, mas não teria sido atendido pela empresa.

A juíza também declarou na sentença a rescisão do contrato de compra e venda do imóvel, avaliado em R$ 424,1 mil na época da compra.

Que direitos o consumidor tem?
Em caso de atraso da obra, o consumidor tem o direito de cancelar o contrato e receber de volta tudo o que pagou, com correção monetária, segundo o Procon-SP. Também deve ser ressarcido por possíveis gastos decorrentes da demora da entrega das chaves do imóvel, como aluguel, por exemplo.

O Procon-SP orienta quem está procurando imóvel a guardar os panfletos de publicidade do empreendimento, para garantir que a empresa cumpra tudo o que foi prometido.

Sobre a cláusula que permite à construtora atrasar em até 180 dias a entrega do imóvel, há controvérsias. É comum esse prazo constar no contrato de compra de imóveis para proteger as construtoras de atrasos causados por motivos de força maior --como falta de material ou condições climáticas ruins. Para o Procon-SP, essa cláusula é abusiva. Os tribunais têm aceitado esse prazo, mas as decisões podem variar de caso a caso.

(Portal UOL - Economia - Notícias - Redação - 28/03/2018)

 VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Veja: Crédito para financiamento imobiliário cai pela metade desde 2014


Contribuição do leitor Eduardo Mazzini

Nos anos recentes, quem estava empregado tinha receio de embarcar em uma dívida que pode se estender por mais de 30 anos. Quem perdeu o emprego não conseguia mais financiar

O volume de crédito destinado ao financiamento de imóveis com dinheiro da poupança caiu pela metade no último ano, na comparação com 2014, antes da crise econômica e quando esses recursos atingiram patamar recorde.

O montante acumulado para financiar a compra e a construção da casa própria em 2017 foi de R$ 83 bilhões, ante os R$ 168 bilhões de três anos antes, segundo dados do Banco Central, em valores reais, já considerado o IPCA (índice oficial de inflação). Os números de 2017 representam a terceira queda seguida do volume de financiamento.

“Com a queda recente dos juros, seria razoável que começasse a ter uma recuperação do crédito imobiliário em 2017, em relação a 2016. É surpreendente que tenha continuado caindo”, analisa o economista Armando Castelar, coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O consumidor só deve recuperar aos poucos a disposição para comprar um imóvel, e a tendência, segundo analistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, é que os bancos fiquem menos retraídos para emprestar em 2018 do que estavam no ano passado.

Parte importante da explicação para o recuo do crédito imobiliário está na situação da Caixa Econômica, o banco da habitação. Sem capital para cumprir regras internacionais de proteção, o banco estatal reduziu os financiamentos e aumentou os juros. “Ela tem 70% do mercado, mas não tem capital para continuar no ritmo pré-crise”, diz José Carlos Martins, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Para Miguel Oliveira, da Anefac (associação de executivos de finanças), as dificuldades pelas quais a Caixa tem passado devem limitar a oferta de juros menores para o consumidor.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o banco estatal foi ultrapassado pelos concorrentes na concessão de crédito com recursos da poupança. Em nota, a Caixa diz que estuda diminuir a taxa de juros do financiamento.

Lenta recuperação
O desemprego, ainda em dois dígitos, é apontado como um dos fatores que mais atrapalham a alta do crédito. A desaceleração do financiamento acompanhou a alta do desemprego, que subiu da casa dos 6% para mais de 13%.

Nos anos recentes, quem estava empregado tinha receio de embarcar em uma dívida que pode se estender por mais de 30 anos. Quem perdeu o emprego não conseguia mais financiar.

O veterinário Erick Almeida, de 32 anos, teve de morar com a mãe por mais tempo. Ele havia começado a pagar um imóvel na planta, até perder o trabalho, em março do ano passado.

“Depois de dois meses procurando uma outra vaga, desisti do imóvel. Sabia que quando o edifício ficasse pronto e o financiamento fosse repassado para o banco, não me aceitariam.”

Também pesou a perda de recursos da caderneta de poupança, que havia ficado menos atrativa para o investidor com a alta dos juros no fim do governo Dilma Rousseff, diz Martins, da Cbic. Para analistas, porém, a tendência é que muitas famílias que não conseguiam contratar um financiamento agora sejam atraídas pelos juros básicos em seu nível mais baixo.

(Portal Revista Veja - Economia - 02/04/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Estadão: Imóveis de luxo também estão parados. Melhora do mercado é mentira, afirma corretor


Circulam na praça inúmeras declarações sobre uma melhora na comercialização de imóveis na cidade de São Paulo. "Não é verdade", afirma um dos mais conhecidos e discretos corretores da praça, Marcelo Gurgel do Amaral. [...] Contaram uma grande mentira durante 10 anos, e todo mundo que acreditou acabou comprando imóvel a preços absurdos

Circulam na praça inúmeras declarações sobre uma melhora na comercialização de imóveis na cidade de São Paulo. "Não é verdade", afirma um dos mais conhecidos e discretos corretores da praça, Marcelo Gurgel do Amaral. Segundo sua avaliação, "o Brasil que navega com tranquilidade é o da chamada Faixa 1, moradia de necessidade. Ou seja, os imóveis do Minha Casa Minha Vida e outros programas na mesma vertente. O de luxo está parado". Aqui vão os melhores momentos da conversa.

Porque não saem negócios com imóveis de luxo?
As informações sobre crescimento econômico chegam com muita velocidade aos clientes mais ricos. Eles estão muito atentos e não querem colocar um mar de dinheiro em uma moradia até que as coisas fiquem mais claras, até os preços voltarem à realidade. E eles andam lá no alto. (Segundo dados do Embraesp, o metro quadrado médio no Jardim Europa bateu em R$ 24,8 mil em fevereiro. E no Itaim-Bibi, R$ 32 mil.

Quando é que acontece a venda de uma casa ou apartamento de alto luxo?
Por necessidade. Por exemplo, se o sujeito casa de novo, ou aumenta a família...

Ou seja, os imóveis de alto luxo, na capital, estão à venda por preços irrealistas
Um apartamento em SP não pode valer o mesmo metro quadrado de Paris nem o mesmo metro quadrado de Nova York. Hoje, se você quiser perder dinheiro, construa imóveis para ricos. É o pior negócio do mundo.

Quando vai melhorar?
O dinheiro grande vai voltar ao mercado imobiliário quando houver novamente segurança. Precisamos saber quem vai ser eleito presidente no final deste ano. Contaram uma grande mentira durante 10 anos, e todo mundo que acreditou acabou comprando imóvel a preços absurdos. O Brasil que não vai parar é o negócio dos imóveis para classes menos favorecidas, e iniciativas como loteamentos de primeira moradia, fundos investindo em armazenamento, onde a renda é razoável.

(Portal Estadão - Notícias - Geral - 31/03/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Portal UOL: Caixa perde liderança em financiamento imobiliário pelo 4º mês seguido


Enquanto não encontra uma saída, a Caixa tem fechado as torneiras. "O banco restringiu bastante a oferta de crédito e está com dificuldades para emprestar", afirma Alberto Ajzental, especialista em financiamento imobiliário e professor da FGV

Por muito tempo, o sonho da casa própria do brasileiro passava por um financiamento da Caixa Econômica Federal. Recentemente, esse cenário parece estar mudando. O banco estatal ainda detém 69% do mercado, mas, pelo quarto mês seguido, perdeu a liderança no financiamento imobiliário com recursos da poupança - modalidade que correspondeu a 45% de todos os financiamentos do banco estatal no ano passado.

Em fevereiro, a Caixa direcionou R$ 783 milhões para esse tipo de financiamento imobiliário, ficando atrás do Bradesco, com R$ 1 bilhão. Os dados são da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e foram divulgados nesta terça-feira (27).

Até outubro, a Caixa sempre havia sido líder nesse quesito, disparada à frente do segundo lugar tanto em número de imóveis financiados quanto em valores. Em novembro, despencou para o quarto lugar, atrás de Itaú Unibanco, Santander e Bradesco, mesma situação que se manteve em dezembro. Em janeiro, Bradesco ficou em primeiro, seguido por Santander, Caixa e Itaú.

Procurada pela reportagem, a Caixa não quis comentar o assunto.

Criada em 1861 ainda por Dom Pedro 2º, a Caixa historicamente teve um papel social no Brasil. O banco estatal foi, tradicionalmente, a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário, principalmente desde 1985, quando a Caixa fundiu-se com o antigo BNH (Banco Nacional da Habitação). O que colocou essa liderança em xeque?

Dificuldade para cumprir regra internacional
Para cumprir normas internacionais que balizam os empréstimos pelo mundo, o banco precisa de mais R$ 15 bilhões, em média, em caixa. Em um primeiro momento, para capitalizar o banco, a Caixa tentou emprestar esses R$ 15 bilhões do FGTS. Após críticas, essa opção foi descartada - pelo menos temporariamente.

Outra saída para levantar o dinheiro seria deixar de repassar parte dos lucros para o Tesouro Nacional, sócio do banco. Isso daria cerca de R$ 10 bilhões. O governo ainda estuda a possibilidade.

Enquanto não encontra uma saída, a Caixa tem fechado as torneiras. "O banco restringiu bastante a oferta de crédito e está com dificuldades para emprestar", afirma Alberto Ajzental, especialista em financiamento imobiliário e professor da FGV.

Volume muito alto de empréstimos
Enquanto a Caixa se vira para arranjar recursos e conseguir cumprir as normas internacionais, os bancos privados não correm tanto risco. Eles sempre foram mais "difíceis" para liberar crédito. Portanto, a tradição social da Caixa criou uma dificuldade para ela mesma.

"Os juros da Caixa sempre foram menores que os concorrentes. A partir de 2008, em um período de 10 anos, o volume de empréstimos da Caixa cresceu nove vezes, enquanto a média dos demais ficou em uma vez e meia", diz Ana Paula Iacovino, professora de economia da Faap.

Desse modo, segundo Iacovino, foi mais fácil para os bancos privados se adequarem às novas normas internacionais para concessão de empréstimos.

Banco privado 'não vai querer todo mundo'
Alguns especialistas, contudo, tentam enxergar como positivo tal mudança de política, já que, com mais concorrência no mercado, o cliente pode ser beneficiado.

"A Caixa sempre teve, em média, dois terços do mercado, com maior capilaridade, expertise, com seus funcionários treinados para isso. A queda da Caixa é ruim. Por outro lado, a gente percebe um crescimento e vontade dos bancos privados para entrar nesse mercado com mais apetite", afirma Flávio Amari, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

Para Ajzental, porém, os bancos privados não devem tomar o lugar da Caixa tão cedo. "Os outros bancos dificilmente vão absorver todos os clientes que não serão mais financiados pela Caixa. O Itaú Unibanco, por exemplo, tem outro perfil de cliente e não vai querer todo mundo", diz.

(Portal UOL - Economia - Notícias - Redação - 27/03/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 29 de março de 2018

IstoÉ: Prejuízo líquido da Even sobe para R$ 234,8 milhões no 4º trimestre


Uma perda nove vezes maior do que no mesmo período de 2016, quando o prejuízo foi de R$ 26,0 milhões

A construtora e incorporadora Even reportou prejuízo líquido de R$ 234,8 milhões no quarto trimestre de 2017, uma perda nove vezes maior do que no mesmo período de 2016, quando o prejuízo foi de R$ 26,0 milhões. No acumulado de todo o ano de 2017, o prejuízo totalizou R$ 378,6 milhões, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão de 2016. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 26, pela companhia.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 192,2 milhões no trimestre, revertendo o indicador positivo de R$ 28,5 milhões do mesmo período do ano anterior. No ano, o Ebitda ajustado totalizou montante negativo de R$ 187,4 milhões, ante R$ 181,738 milhões positivos de 2016. O Ebitda ajustado exclui os efeitos dos encargos financeiros apropriados ao custo de terrenos e produção.

A receita operacional líquida foi a R$ 403,7 milhões no trimestre, alta de 2%. No ano, alcançou R$ 1,584 bilhão, queda de 9%.

(Portal IstoÉ - Economia - 26/03/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 26 de março de 2018

O Globo: Justiça obriga construtora a mudar cláusula de contrato e devolver dinheiro a clientes


Apesar de violar o Código de Defesa do Consumidor, a construtora se recusou a celebrar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MPRJ, alegando que não haveria ilegalidade que a obrigasse a retirar a cláusula dos contratos

A Cyrela Empreendimentos Imobiliários terá que devolver 75% do valor pago a quem desistir de comprar um imóvel da incorporadora. Em ação movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra a incorporadora, a Justiça determinou a modificação de cláusula do contrato da empresa que previa a perda progressiva de 75% a 90% do valores pagos pelos consumidores em caso de rescisão. Mas o limite definido a partir de uma série de decisões judiciais é de 25%.

— Ficou estabelecido esse limite que não é exagerado, até por conta do investimento que se tem na construção. Essa é uma decisão coletiva e padrão para todos os consumidores, mas quem achar que o dano foi maior por algum motivo, pode buscar também o caminho da ação individual — explica o autor da ação, promotor de Justiça Pedro Rubim Borges Fortes.

A Cyrela terá que entregar à Justiça um levantamento de todos os contratos celebrados pela empresa desde 2007. Segundo o MPRJ, a medida é para assegurar a devolução das quantias que foram pagas a mais pelos consumidores lesados.

Apesar de violar o Código de Defesa do Consumidor, a construtora se recusou a celebrar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MPRJ, alegando que não haveria ilegalidade que a obrigasse a retirar a cláusula dos contratos.

(O Globo - Economia - Defesa do Consumidor - 21/03/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK